O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (14) que não vê condições políticas para aprovar uma anistia ampla, geral e irrestrita aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta, defendida por parte da oposição, ganhou destaque após a ocupação do Plenário da Casa na semana passada, mas, segundo Motta, não há clima para avançar nesse formato.
Em entrevista à GloboNews, o parlamentar destacou que já existe um projeto alternativo, discutido desde o semestre passado, que não contempla a anistia total. Ele foi categórico ao afirmar que não concorda em perdoar quem teria planejado matar pessoas durante os ataques.
Motta ressaltou que não possui preconceito com nenhuma pauta e que, caso haja maioria no Colégio de Líderes para votar o Projeto de Lei 2.858/22 — que propõe a anistia para presos do 8 de janeiro —, o texto poderá ser levado ao Plenário. No entanto, frisou que a condução do tema será transparente e sem atropelos, dada a gravidade dos episódios para a democracia brasileira.
O deputado também manifestou preocupação com penas consideradas desproporcionais aplicadas a indivíduos que tiveram participação secundária nos atos. Ele defendeu a possibilidade de um texto que revise condenações elevadas, permitindo regimes mais brandos para casos de menor envolvimento. Para Motta, essa reavaliação poderia unir diferentes posições na Câmara, mas sem estender o benefício a quem esteve diretamente ligado a ações violentas.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
