A disputa pelo comando da CPI do INSS terminou em surpresa nesta terça-feira (19). O senador Carlos Viana (Podemos-MG), integrante da oposição, foi eleito presidente da comissão, superando o nome tido como favorito, Omar Aziz (PSD-AM), aliado de Davi Alcolumbre e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Viana conquistou 17 votos, contra 13 de Aziz, garantindo a liderança da investigação que promete fortes embates políticos.
Criada para apurar irregularidades em descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões, a CPI investiga um esquema que, segundo a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), pode ter causado prejuízos superiores a R$ 6,4 bilhões.
Apesar da vitória da oposição na presidência, o governo detém a maioria no colegiado. Das 30 vagas de titulares, apenas oito pertencem a parlamentares oposicionistas. A base governista já sinalizou que vai tentar associar as fraudes a gestões anteriores, especialmente ao período do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Petistas como Paulo Pimenta (RS), Alencar Santana (SP), Rogério Carvalho (SE) e Fabiano Contarato (ES) assumem a linha de frente dessa narrativa.
A CPI deve enfrentar momentos delicados com pedidos de convocações de nomes ligados diretamente ao governo. Estão na mira o ministro da Previdência, Carlos Lupi, seu antecessor Wolney Queiroz, o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, e o ex-comandante do órgão Alessandro Stefanutto.
A oposição também pressiona pela convocação de Frei Chico, irmão do presidente Lula, que tem ligação com o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). A entidade aparece em relatório da CGU, mas nega irregularidades, e Frei Chico não é investigado.
Com esse novo cenário, a CPI do INSS deve se tornar um dos principais palcos de embates entre governo e oposição, colocando em jogo não apenas a apuração de fraudes bilionárias, mas também a disputa por narrativas que podem impactar diretamente a opinião pública.
