A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi palco de um embate político acalorado nesta semana. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, atribuiu ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a responsabilidade pelas fraudes que atingiram aposentados e pensionistas da autarquia.
Segundo Randolfe, a origem do problema estaria na decisão do governo Bolsonaro de vetar a revalidação periódica dos dados de beneficiários do INSS. Ele destacou que uma Medida Provisória de 2019 previa a checagem dos descontos a cada dois anos, mas a medida acabou adiada para 2022 e, posteriormente, revogada.
Durante a oitiva da defensora pública Patrícia Bettin, convocada como testemunha, o senador afirmou que a situação atual poderia ter sido evitada: “Se não tivesse sido vetada, se tivesse sido sancionada ou se pelo menos em 2019 tivesse sido tomada a medida que o governo Lula tomou, nós não estaríamos nesta CPI constatando o roubo de milhares de aposentados e pensionistas”.
As acusações inflamaram a oposição, que reagiu imediatamente. Parlamentares ligados a Bolsonaro acusaram os governistas de tentarem transferir responsabilidades e lembraram que, inicialmente, o próprio governo não teria dado apoio à criação da CPMI.
O episódio reforça o clima de tensão em torno da comissão, que segue ouvindo testemunhas e reunindo documentos para apurar as falhas no sistema de proteção previdenciária. Enquanto a base governista insiste em culpar a gestão anterior, a oposição acusa o governo atual de usar a CPI como instrumento político para desviar o foco das denúncias de má gestão.
*Com informações do Pleno News
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
