O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), candidato à Presidência em 2014, tenta retomar relevância no cenário político com o chamado “PL da Dosimetria”, projeto que trata da redução de penas. O tucano tem aparecido como articulador do acordo firmado na quinta-feira (18) na casa do ex-presidente Michel Temer (MDB) e concedido entrevistas defendendo sua participação na iniciativa.
Em declaração à Bandnews e reproduzida em sua conta no X, Aécio afirmou que a anistia ampla para crimes de golpe de Estado é inconstitucional e disse que a proposta do PL da Dosimetria é uma alternativa para reduzir excessos nas penas, sem gerar impasses judiciais ou eleitorais. “A expectativa é que o Supremo compreenda que algumas daquelas penas que possam ter sido exageradas possam ser diminuídas sem efeitos colaterais. Será que esse não é um preço razoável para o Brasil pagar para voltarmos a fazer política, onde adversários possam conversar e não se tratem como inimigos?”, disse.
Segundo o deputado, a iniciativa busca evitar que a pauta da anistia polarize ainda mais o país, especialmente às vésperas das eleições de 2026. “Minha contribuição é permitir que cheguemos à eleição discutindo fragilidades do governo na educação, na segurança pública e apresentando novas propostas para o Brasil”, afirmou.
Aécio, que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2001 e 2002, governou Minas Gerais por dois mandatos e foi senador de 2011 a 2019, enfrentou dificuldades políticas em razão da Operação Lava Jato. Em 2022, foi absolvido pela Justiça Federal em São Paulo no caso de suposto recebimento de 2 milhões de reais em propina da J&F. Em 2024, a Segunda Turma do STF arquivou outro inquérito baseado em delação da OAS, que investigava pagamentos entre 2010 e 2012.
Com o PL da Dosimetria, Aécio busca reposicionar-se como voz de equilíbrio político, defendendo a redução de penas como forma de superar polarizações e permitir que a política retome o diálogo entre adversários.
