A sessão ordinária desta quinta (16), na Câmara Municipal de Goiana, foi marcada por um discurso inflamado do vereador Alexandre Carvalho, que não poupou críticas à gestão do prefeito Marcílio Régio. Em tom duro e carregado de indignação, o parlamentar denunciou irregularidades, apontou perseguição a servidores e ironizou o que chamou de “show de horrores” na administração municipal.
Logo no início, Alexandre citou São Francisco para embasar seu pronunciamento e lamentou o distanciamento entre o discurso otimista de alguns vereadores e a realidade enfrentada pela população. “Tem gente que acha que Goiana é a oitava maravilha do mundo, mas quem anda pelas ruas sabe que não é bem assim”, afirmou. Ele destacou problemas como o mato alto nos bairros, falhas na limpeza urbana e o descaso com serviços públicos essenciais.
O vereador também cobrou coerência do governo em relação ao uso dos veículos oficiais e ao serviço de reboque, questionando se esses benefícios “são realmente para o povo ou apenas para alguns privilegiados”. Segundo ele, “Goiana paga caro e continua recebendo um serviço de qualidade duvidosa”, criticando o aumento de contratos com empresas de limpeza.
No ponto mais tenso do discurso, Alexandre denunciou perseguições contra condutores do SAMU, que, segundo ele, estariam sendo coagidos e ameaçados. “Esses profissionais estão vivendo um verdadeiro terror. Salvam vidas todos os dias, mas estão sendo desrespeitados”, afirmou o vereador, que prometeu levar o caso à frente.
Ele também mencionou contradições na execução de obras públicas, citando o exemplo de uma praça inaugurada recentemente que, dois meses depois, teria recebido novo suplemento financeiro. “Como é que se inaugura algo pronto e depois ainda se injeta mais dinheiro? Isso precisa ser explicado”, disparou.
O discurso atingiu seu ápice quando Alexandre ironizou o pedido da Prefeitura de Goiana por doações de alimentos para o “sopão comunitário”, mesmo após a aprovação de R$ 198 milhões em suplementação orçamentária. Em tom provocador, afirmou: “Já que os R$ 198 milhões não deram pra comprar o macarrão da sopa, estou doando a charque pra botar na panela do povo. A gente ajuda o governo — e o governo que ajude o povo.”
