O clima vem azedando cada vez mais em parte dos vereadores que compõem a base do prefeito Marcílio Régio na Câmara de Goiana. O que antes era apenas um murmúrio de insatisfação nos corredores do Legislativo, agora começa a se transformar em um desabafo coletivo: aliados que vêm ajudando o governo desde que Marcílio tomou posse em 30 de junho afirmam estar sendo deixados de lado nas decisões, ignorados nas nomeações e desprestigiados.
Segundo apurou o Radar, o descontentamento cresce a cada semana. A principal queixa é que o prefeito e seu núcleo mais próximo não têm dado espaço político aos vereadores que formam a base governista. Indicações de cargos e contratos, feitas por esses parlamentares, estariam sendo sistematicamente engavetadas, enquanto pessoas sem vínculo com o grupo da Câmara são contempladas.
Mas o problema não para por aí. Os vereadores relatam também um descaso do próprio gabinete do prefeito nas atividades de rua. “Muitas vezes, o convite para as agendas chega em cima da hora — quando chega. E tem evento que a gente só fica sabendo depois que acontece”, lamentou um aliado de Marcílio Régio, sob reserva. O sentimento, segundo ele, é de total desprestígio.
Um outro vereador, também pedindo anonimato, foi ainda mais direto: “Era melhor estar sozinho do que dizer que é aliado e não ter prestígio nenhum.”
A declaração resume o clima de frustração e impaciência entre parte da base. Alguns parlamentares já admitem, nos bastidores, que, se a postura do governo não mudar, não pretendem mais atender aos pedidos do Executivo quando se trata de votar projetos de interesse da gestão. “A paciência tem limite. Se o governo não respeita a base, não pode esperar apoio automático”, confidenciou um vereador. Na análise de bastidores, diante do clima de insatisfação, o recado tem sido claro: se o governo não mudar a postura, o apoio na Câmara pode deixar de ser tão certo quanto antes.
