A ex-presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, deixou a prisão nesta quinta-feira (6) após quatro anos e oito meses detida. A libertação ocorreu depois que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) do país anulou a condenação de dez anos imposta à ex-mandatária no chamado caso “golpe de Estado II” e determinou sua liberdade imediata.
Áñez saiu pela porta principal do Centro de Orientação Feminina de Miraflores, em La Paz, empunhando uma bandeira da Bolívia e acompanhada pelos filhos, Carolina e José Armando Ribera. Visivelmente emocionada, ela afirmou que nunca se arrependeu de ter assumido o comando do país em 2019, após a renúncia de Evo Morales. “Nunca houve um golpe de Estado. O que houve foi uma fraude eleitoral. Eu apenas servi à minha pátria quando ela precisou”, declarou.
Em suas primeiras declarações após a soltura, Áñez descreveu o período na prisão como “muito duro e doloroso”, mas destacou que a experiência lhe ensinou a “ter força e resiliência diante da injustiça”.
A decisão do STJ, divulgada na quarta-feira (5), concluiu que a condenação de Áñez violou o devido processo legal e que sua atuação em 2019 foi motivada por uma “necessidade constitucional” para garantir a continuidade do Estado. O tribunal afirmou ainda que a ex-presidente “não agiu com dolo nem lesou qualquer bem jurídico protegido”.
Jeanine Áñez assumiu interinamente a Presidência da Bolívia em novembro de 2019, dois dias após Evo Morales renunciar e deixar o país em meio a denúncias de fraude eleitoral e intensos protestos. Presa desde março de 2021, Áñez se tornou um dos principais símbolos da polarização política boliviana nos últimos anos. Com a anulação da sentença, ela volta a responder apenas em processos que agora serão reavaliados pelo Congresso, em formato de julgamento de responsabilidades.
*Com informações da Agência EFE
