A União Africana (UA) manifestou forte preocupação com as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o governo da Nigéria de ser “cúmplice” em “assassinatos seletivos de cristãos” e chegou a ameaçar uma intervenção militar no país.
Em comunicado oficial, a Comissão da UA advertiu que as falas de Trump “podem colocar em risco a paz continental” e reafirmou seu compromisso com os princípios de soberania, não interferência e solução pacífica de conflitos. O órgão destacou ainda o papel central da Nigéria na estabilidade da África Ocidental e na luta contra o terrorismo.
A entidade lembrou que o país enfrenta “desafios complexos de segurança” que atingem cidadãos de todas as religiões, como o avanço de grupos extremistas, o banditismo e os conflitos comunitários por recursos naturais. Segundo a UA, “usar a religião como arma ou simplificar a origem da violência pode comprometer soluções eficazes e desestabilizar as comunidades locais”.
O bloco africano pediu aos parceiros internacionais, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham o diálogo diplomático e a cooperação com a Nigéria, “evitando ameaças unilaterais de intervenção militar, que poderiam colocar em risco a paz continental e as normas da União Africana sobre gestão pacífica de crises”.
As declarações da UA foram divulgadas após Trump afirmar, no último sábado, que ordenou ao Departamento de Defesa norte-americano preparar uma “possível ação” na Nigéria para “eliminar terroristas islâmicos”. O republicano acusou o governo nigeriano de “permitir o massacre de cristãos”, declaração classificada por Abuja como “injusta e desconectada da realidade”.
A Nigéria, maior economia e país mais populoso da África, convive há mais de uma década com a violência do Boko Haram e do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), grupos jihadistas responsáveis por mais de 35 mil mortes e pelo deslocamento de 2,7 milhões de pessoas desde 2009, segundo dados oficiais.
Com informações da Agência EFE.
