O União Brasil adiou a reunião do Conselho de Ética que decidirá o futuro do ministro do Turismo, Celso Sabino, acusado de infidelidade partidária. O encontro, inicialmente marcado para a próxima segunda-feira (10), foi remarcado para o dia 24 de novembro, às 15h, e ocorrerá de forma virtual, segundo informou a assessoria da legenda.
A defesa de Sabino solicitou o adiamento por causa da coincidência com a abertura oficial da COP30, em Belém (PA) — evento que o ministro considera uma de suas principais vitrines políticas. A coincidência de datas foi interpretada internamente como uma provocação do partido, que rompeu formalmente com o governo Lula e pediu a saída de seus integrantes de cargos no Executivo.
O ministro, no entanto, decidiu permanecer à frente da pasta, o que motivou a abertura do processo por infidelidade. Ele chegou a apresentar uma carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas recuou após receber o apoio de 46 dos 59 deputados do União Brasil, que assinaram um manifesto em defesa de sua permanência.
Os parlamentares argumentam que Sabino é um dos principais articuladores do partido no Pará e que sua presença no governo garante interlocução e acesso político ao Ministério do Turismo.
Em entrevista ao Estadão, o ministro ironizou a disputa e afirmou que o cenário político mudou a favor do governo:
“O governo Lula, hoje, é a noiva bonita e todo mundo quer estar ao lado dela.”
Sabino disse acreditar que a expulsão não é inevitável, lembrando sua participação na criação do União Brasil:
“Sou um dos fundadores do partido. Criei o União no Pará. Não é coerente aplicar a pena mais grave a alguém que nunca infringiu nenhuma norma partidária.”
Apesar da confiança, o ministro admite já ter sido sondado por outras legendas e afirmou ter recebido “convites de quase todos os partidos”.
O Conselho de Ética do União Brasil deverá decidir, no fim do mês, se o ministro será mantido na sigla ou expulso definitivamente.
Com informações da Agência Estado.
