O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta segunda-feira (10) que vai chamar de volta o embaixador colombiano nos Estados Unidos, Daniel García-Peña, após a revista Cambio divulgar uma foto publicada no site oficial da Casa Branca mostrando um assessor americano segurando um documento com uma montagem em que o líder colombiano aparece vestido como prisioneiro.
A imagem, que causou indignação em Bogotá, mostra o subchefe de gabinete da Casa Branca, James Blair, segurando uma pasta identificada como “Doutrina Trump”, na qual Petro e o presidente venezuelano Nicolás Maduro aparecem com o uniforme laranja usado por detentos americanos. A fotografia foi tirada em 21 de outubro, durante uma reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e senadores republicanos.
Pelas redes sociais, Petro classificou o episódio como um “desrespeito brutal ao povo colombiano” e cobrou explicações do governo americano. “Na página oficial da Casa Branca me exibem como se eu fosse um preso dos EUA. Isso é um desrespeito à nação colombiana e à sua história”, escreveu.
De acordo com a Cambio, o documento continha propostas assinadas pelo senador republicano Bernie Moreno, sugerindo sanções contra Petro, sua família e aliados, além de ações diretas contra o governo colombiano, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. O texto ainda menciona a possibilidade de “prender o presidente da Colômbia”.

Petro rebateu duramente as insinuações, afirmando que “o que se busca não é acabar com cartéis, mas fortalecer políticos da direita colombiana”.
As relações entre Bogotá e Washington já vinham se deteriorando desde setembro, quando os EUA retiraram a Colômbia da lista de países que cooperam no combate às drogas e revogaram o visto de Petro após sua participação em um ato pró-Palestina em Nova Iorque. Pouco depois, o Departamento do Tesouro americano incluiu o presidente colombiano e familiares na Lista Clinton, bloqueando seus bens em território americano sob suspeita de ligações com o narcotráfico — acusações que Petro nega categoricamente.
*Com informações da Agência EFE
