O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata do inquérito que apurava quem teria movido os corpos das vítimas da megaoperação realizada no fim de outubro nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A operação deixou 121 mortos e segue sob forte questionamento de entidades de direitos humanos.
Na decisão, Moraes ordenou que o delegado da 22ª Delegacia Policial da Penha, responsável pela investigação, interrompa o inquérito e envie informações detalhadas em até 48 horas. O ministro foi informado da existência dessa apuração durante reunião com representantes de organizações que atuam na ADPF das Favelas, processo que trata da letalidade policial nas comunidades do Rio.
A medida foi tomada nesta segunda-feira (10), no mesmo despacho em que Moraes também determinou que o governo do Rio de Janeiro preserve todas as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais na operação. O objetivo é garantir a integridade das provas e permitir uma investigação ampla sobre o que ocorreu durante a ação.
Além disso, Moraes suspendeu a decisão da conselheira Fabiana Costa Oliveira Barreiro, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que havia barrado um pedido do Ministério Público Federal (MPF) para obter informações sobre o orçamento da operação policial. A conselheira alegava invasão de competência do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), mas Moraes derrubou a decisão e também deu 48 horas para que ela apresente explicações.
A operação de 28 de outubro, considerada uma das mais letais da história do estado, continua gerando forte repercussão política e judicial. O ministro tem reforçado a necessidade de transparência e controle sobre as ações policiais, sobretudo em casos de alto número de mortes.
*Com informações Agência Brasil
