A proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF) provocou novos desdobramentos nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) e aprofundou o clima de tensão entre ministros da Corte. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, integrantes do tribunal avaliam que há uma movimentação de pressão para que o acordo de colaboração produza elementos que possam atingir o ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a reportagem, ministros ouvidos reservadamente demonstraram estranheza com a rapidez das reações críticas à proposta de delação, mesmo antes de uma análise detalhada do material entregue aos órgãos de investigação. Para essa ala do STF, o movimento pode indicar uma resistência prévia ao conteúdo apresentado pela defesa do empresário.
Nos bastidores, magistrados avaliam que o ambiente criado em torno da colaboração premiada ultrapassa a discussão sobre o teor da proposta e passou a representar um novo foco de disputa interna dentro do Supremo. O caso envolvendo Vorcaro se soma a episódios recentes ligados às investigações sobre o Banco Master, que já vinham expondo divergências e desconfortos entre integrantes da Corte.
Segundo O Globo, ministros enxergam tentativas de direcionar a delação para atingir Alexandre de Moraes, cenário que, na avaliação de parte do tribunal, poderia até provocar questionamentos futuros sobre a validade processual das investigações. A preocupação é que eventuais trechos de colaboração sejam utilizados como instrumento de pressão política ou jurídica contra membros do STF.
Ainda de acordo com os relatos reservados citados pela publicação, há percepção de que algumas movimentações envolvendo o caso teriam sido desaceleradas recentemente em razão do cenário político nacional, incluindo a sabatina frustrada do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo.
O temor entre integrantes da Corte é que o uso estratégico de informações de delações contribua para ampliar o ambiente de desconfiança e aprofundar o racha interno já existente no STF. A avaliação é de que esse tipo de dinâmica pode criar instabilidade institucional em um momento de forte pressão política sobre o Judiciário.
A proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro ainda será analisada pela PGR e pela Polícia Federal, que poderão solicitar ajustes antes de um eventual envio ao Supremo Tribunal Federal. Caberá ao relator do caso verificar critérios como legalidade, voluntariedade e utilidade das informações antes de decidir sobre a possível homologação do acordo.
