O principal promotor público de Istambul apresentou uma acusação massiva contra o prefeito Ekrem Imamoglu, uma das principais figuras da oposição ao presidente Recep Tayyip Erdogan, pedindo uma pena que pode ultrapassar 2 mil anos de prisão. Imamoglu é acusado de 142 crimes ligados à corrupção, organização criminosa, suborno, extorsão e manipulação de licitações.
O documento, com 3,9 mil páginas, foi elaborado pelo promotor-chefe Akin Gurlek e inclui 402 suspeitos, entre eles vários funcionários municipais. Imamoglu é apontado como o principal envolvido. Segundo a mídia turca, o julgamento será marcado assim que a Justiça aceitar formalmente a denúncia.
Preso em março, Imamoglu nega todas as acusações e afirma ser vítima de perseguição política. Sua detenção provocou a maior onda de manifestações na Turquia em mais de dez anos, com protestos em diversas cidades do país.
Ekrem Imamoglu é visto como um dos maiores rivais de Erdogan e um possível candidato à presidência. Desde que derrotou o partido do atual presidente nas eleições municipais de Istambul, em 2019, ele se tornou símbolo da resistência política contra o governo turco.
Se condenado por todas as acusações, Imamoglu pode receber uma pena total de 2.352 anos de prisão. O caso aumenta a tensão política na Turquia, onde opositores e observadores internacionais têm denunciado o uso do sistema judicial para silenciar adversários do governo.