O Sertão do Pajeú, conhecido como berço da poesia popular, viveu um momento histórico nesta terça-feira (11). O poeta tabirense Dedé Monteiro, um dos maiores representantes da cultura nordestina, recebeu da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) o título de Doutor Honoris Causa, em solenidade realizada no auditório da reitoria da instituição, no Recife.
A homenagem, proposta pelo Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), reconhece personalidades que contribuíram de forma marcante para o desenvolvimento da arte, da cultura e do saber. No caso de Dedé, o título é um tributo à sua trajetória dedicada à poesia popular, à formação de novos poetas e à preservação da identidade sertaneja.
Visivelmente emocionado, o poeta agradeceu com a simplicidade e a sensibilidade que sempre marcaram sua obra. “É um dia de muita alegria, não só por mim, mas por minha família e pela grande família do Pajeú, terra da poesia, da rima e da sensibilidade. O poeta agora virou doutor — doutor da rima”, declarou Dedé, arrancando aplausos e lágrimas da plateia.
O professor Maurício Assuero, da UFPE, que propôs a homenagem, também é natural de Tabira e foi aluno do poeta. “Dedé fala, respira e transpira poesia pelos poros. Essa homenagem é mais do que merecida, porque ele inspira gerações”, afirmou. O reitor Alfredo Gomes destacou o simbolismo do reconhecimento. “É uma honra para a UFPE ter Dedé Monteiro entre seus doutores honoris causa. Ele se junta a grandes nomes como João do Pife, Lia de Itamaracá e o presidente Lula, todos ícones da cultura brasileira.”
O momento também foi celebrado por amigos e admiradores. O poeta e advogado Joselito Nunes, responsável pela publicação do primeiro livro de Dedé, fez questão de prestar homenagem. “Dedé é mais do que um poeta. É um ser humano de uma pureza rara, que ultrapassa os limites da bondade. É uma honra imensa ver o seu talento reconhecido dessa forma.”
A cerimônia reuniu artistas, intelectuais e autoridades de todo o Sertão do Pajeú, que vieram prestigiar o “Papa da Poesia”, como é carinhosamente chamado.
Nascido em 13 de setembro de 1949, no sítio Barro Branco, em Tabira, José Rufino da Costa Neto começou a escrever versos ainda menino, inspirado pelo pai, que recitava cordéis enquanto trabalhava na roça. Desde então, sua poesia se tornou sinônimo de emoção e sabedoria popular. Autor de quatro livros e premiado em diversos festivais literários, Dedé foi reconhecido em 2016 como Patrimônio Vivo de Pernambuco e também lançou o CD Dedé Monteiro Voz e Amigos, celebrando meio século de poesia.
Com o título de Doutor Honoris Causa, Dedé Monteiro entra para a história não apenas como um mestre da palavra, mas como um símbolo de como a poesia pode elevar o espírito e unir o povo sertanejo em torno da beleza da cultura nordestina.
