O rei Charles III comemorou seus 77 anos nesta sexta-feira (14) do jeito que mais simboliza seu reinado até agora: trabalhando. Ao lado da rainha Camilla, o monarca viajou ao País de Gales para participar da celebração dos 200 anos do Castelo de Cyfarthfa, um marco da história galesa, e para inaugurar um novo depósito de trens — duas agendas que refletem sua determinação em manter o ritmo, apesar do câncer que enfrenta desde 2024.
A natureza da doença nunca foi divulgada pelo Palácio de Buckingham, mas, mesmo assim, Charles tem surpreendido pela resistência. Segundo o Daily Express, 2025 já reúne o maior número de compromissos oficiais desde que ele assumiu o trono em setembro de 2022. Em setembro, por exemplo, o rei recebeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Castelo de Windsor, em um encontro diplomático de grande peso articulado pelo primeiro-ministro Keir Starmer para reforçar a parceria histórica entre Reino Unido e EUA.
Mesmo concentrando a maior parte de suas viagens dentro do país, Charles tem mantido presença internacional. Ele e Camilla estiveram no Canadá em maio e no Vaticano em duas ocasiões, abril e outubro, sendo esta última marcada por uma oração conjunta inédita com o papa Leão XIV — gesto simbólico para a diplomacia britânica e para a relação entre os líderes religiosos.
Apesar das especulações recorrentes sobre uma possível piora do seu estado de saúde, Charles segue cumprindo sua agenda sem sinais aparentes de fraqueza. O biógrafo Robert Jobson, autor de The Windsor Legacy, afirma que o rei adaptou alguns hábitos — como tirar cochilos à tarde —, mas mantém firme o compromisso com suas funções. “Ele ama seu trabalho e é isso que o mantém de pé”, revelou Camilla durante uma visita do casal a Roma, em abril.
Além dos desafios de saúde, Charles enfrenta pressões internas na família real. Nas últimas semanas, agiu para conter desgastes públicos: retirou o título de príncipe de seu irmão Andrew e o obrigou a deixar a residência em Windsor, após novos desdobramentos do escândalo envolvendo Jeffrey Epstein. Paralelamente, a relação distante com o filho mais novo, Harry, segue sem grandes avanços.
Enquanto isso, o príncipe William ganha cada vez mais protagonismo. Herdeiro do trono, ele afirmou recentemente que deseja “trazer um pouco de mudança” à monarquia. Sua presença na COP30, no Brasil, reforçou o compromisso ambiental que antes era marca registrada do próprio Charles. Ao lado da princesa Catherine, William continua sendo a face mais popular da família real: juntos, têm aprovação de cerca de 75% dos britânicos, contra 62% atribuídos ao rei, segundo pesquisa YouGov.
No dia em que completou 77 anos, Charles III mostrou mais uma vez que pretende seguir ativo, conciliando dever, diplomacia e resiliência — e tentando navegar, ao mesmo tempo, pelos desafios públicos e privados que moldam seu reinado.
