A Ucrânia viveu mais um dia de violência nesta sexta-feira (14), após uma série de bombardeios russos atingir áreas residenciais de Kiev, matando seis civis e deixando cerca de 30 feridos, segundo autoridades locais. O presidente Volodimir Zelensky classificou o ataque como “abominável”, afirmando que se tratou de uma ação deliberada para provocar “o maior dano possível” à população e à infraestrutura civil. Horas depois, um drone russo impactou um mercado no sul do país, matando outras duas pessoas.
Os danos se espalharam por diferentes pontos da capital. No leste de Kiev, prédios residenciais ficaram com fachadas queimadas, janelas estilhaçadas e moradores desesperados tentando escapar das chamas. “As portas explodiram, havia fogo por toda parte, os moradores gritavam”, relatou Maria Kalchenko, que sobreviveu a um dos ataques. Entre os locais atingidos estava também a embaixada do Azerbaijão, parcialmente destruída por um míssil Iskander, o que levou Baku a convocar o embaixador russo para prestar esclarecimentos.
Os ataques, que também danificaram um hospital, lojas e escritórios, reforçam um padrão que se intensificou nos últimos meses: a ofensiva russa contra áreas residenciais e infraestrutura essencial em Kiev, incluindo sistemas de energia e ferrovias. A Alemanha criticou duramente a ação, afirmando que os novos bombardeios revelam o “desprezo pela humanidade” do presidente Vladimir Putin.
Durante a noite, jornalistas registraram o uso intenso de balas traçantes contra drones e o acionamento de diversos sistemas antimísseis. A Força Aérea ucraniana afirmou ter derrubado 405 dos 430 drones lançados pela Rússia, além de 14 dos 19 mísseis disparados. Apesar da eficácia da defesa aérea, autoridades alertam para o aumento no uso de mísseis balísticos por Moscou, cujo alto rendimento e trajetória tornam difícil a interceptação.
O Ministério da Defesa russo declarou que o ataque foi um “ataque maciço” com drones e mísseis hipersônicos contra alvos militares e energéticos. Paralelamente, tropas russas continuam avançando por terra, pressionando regiões estratégicas no leste da Ucrânia, como Donetsk e Lugansk.
A ofensiva ocorre em meio a novos apelos do Ocidente. Reunidos no Canadá, ministros do G7 pediram um cessar-fogo imediato e reafirmaram o “apoio inabalável” à soberania ucraniana. Putin, no entanto, insiste que mais territórios no leste sejam cedidos como condição para encerrar a guerra.
Em resposta, Kiev tem ampliado ataques contra infraestrutura russa e, segundo Zelensky, usou mísseis ucranianos de longo alcance Netuno durante a noite para atingir alvos no território inimigo. Moscou, por sua vez, relatou que fragmentos de um drone ucraniano atingiram uma usina nuclear na quinta-feira, reduzindo temporariamente sua produção.
As autoridades russas também informaram sobre novos incidentes: um incêndio em uma grande refinaria no mar Negro e o ataque contra uma embarcação civil que deixou três feridos. O ministro da Defesa afirmou ainda que mais de 200 drones ucranianos foram derrubados durante a noite em várias regiões do país.
No cenário mais amplo, a guerra segue escalando em intensidade e alcance, trazendo novos riscos civis e militares nos dois lados da fronteira, enquanto a pressão internacional cresce para que o conflito encontre algum caminho para a interrupção dos combates.
