O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça fez, nesta segunda-feira (17), uma das avaliações mais duras sobre o cenário institucional brasileiro nos últimos anos. Durante almoço promovido pelo grupo empresarial Lide, em São Paulo, Mendonça afirmou que o país vive um processo de “enfermidade”, marcado por insegurança jurídica, fragilidade institucional e avanço do crime organizado.
Segundo o ministro, a crise na área de segurança pública é tão profunda que países vizinhos apresentam desempenho melhor. “Sabe quem está à frente de nós em segurança pública? Paraguai, Argentina e Chile. Esse é o dado da realidade. Nós estamos doentes e enfermos, só não nos demos conta. Eu não estou defendendo A, B ou C. Eu estou dizendo que nós temos um problema sério de segurança pública”, declarou.
Mendonça defendeu que o Brasil precisa de transformações estruturais e permanentes, e não apenas de medidas pontuais que se perdem no tempo. Para ele, políticas de Estado são fundamentais para reverter o quadro atual e impedir que a criminalidade continue ganhando espaço.
O ministro também chamou atenção para a necessidade de estabilidade jurídica. Segundo ele, o simples fato de o país debater constantemente o tema já indica fragilidade institucional. “Se nós estamos precisando falar de segurança jurídica, é porque vivemos um estado de insegurança jurídica. Onde há segurança jurídica, não é preciso repetir esse assunto o tempo todo”, avaliou.
Mendonça ainda defendeu que o Supremo deve agir com autocontenção e evitar decisões que possam caracterizar ativismo judicial. Ele destacou que nenhum poder da República deve concentrar para si a primeira e a última palavra sobre todos os temas, reforçando a necessidade de equilíbrio entre os Três Poderes.
O discurso, marcado por críticas e alertas, repercutiu entre empresários e autoridades presentes, reacendendo o debate sobre os desafios enfrentados pelo país em áreas essenciais para sua estabilidade e desenvolvimento.
