O presidente venezuelano Nicolás Maduro declarou nesta terça-feira (18) que Jesus Cristo é o “Senhor e dono” da Venezuela, durante uma cerimônia religiosa realizada no Palácio de Miraflores, em Caracas. O evento, transmitido pela TV estatal, ocorreu no momento em que crescem as tensões entre Caracas e Washington.
A reunião, intitulada Encontro Binacional de Oração pela Paz, contou com a presença de pastores evangélicos, da primeira-dama Cilia Flores e do deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente. Diante das lideranças religiosas, Maduro afirmou que a sede do governo será transformada em um “altar para glorificar a Deus”.
Ele leu um manifesto no qual reafirmou Jesus Cristo como “Senhor e mestre” do país e declarou estar “radicalizado” com Cristo, ressaltando a liberdade religiosa assegurada pela Constituição venezuelana. “Reconheço o único Deus verdadeiro e real, o único a quem adoro e honro, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que protege e protegerá nossa pátria”, disse.
A fala religiosa ocorre em paralelo ao agravamento da crise diplomática com os Estados Unidos. Washington mantém operações aéreas e navais no Caribe, alegando ações de combate ao narcotráfico. Maduro, porém, afirma que as movimentações representam uma ameaça militar direta ao país.
Na segunda-feira (17), o venezuelano chegou a declarar que um eventual ataque americano seria o “fim político” do presidente Donald Trump. Ele também acusou setores dos EUA de tentar prejudicar o republicano com temas ligados ao caso Jeffrey Epstein e à crise venezuelana. Mesmo assim, Maduro reiterou que está disposto a dialogar diretamente com Trump — que, por sua vez, afirmou recentemente estar aberto a conversas.
As tensões aumentaram após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que classificará o Cartel dos Sóis como organização terrorista estrangeira a partir de 24 de novembro. Washington vincula o grupo ao governo venezuelano, acusação rejeitada por Maduro, que afirma se tratar de uma “invenção”.
