Em meio à repercussão da decisão do ministro Alexandre de Moraes que decretou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o Supremo Tribunal Federal (STF) vive paralelamente outra movimentação relevante: o início da articulação política em torno da indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso na Corte.
Messias, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), divulgou neste domingo (23) uma nota pública endereçada ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável por pautar sua sabatina. No texto, o indicado ao STF buscou reforçar laços com Alcolumbre, afirmando manter com ele uma relação “saudável, franca e amigável”, marcada por “grande admiração e apreço”.
O gesto acontece após Alcolumbre ter defendido outro nome para o Supremo — o do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Em tom conciliador, Messias reconheceu o peso político do presidente da CCJ e afirmou sentir-se “no dever” de se colocar à disposição de seu escrutínio constitucional.
Segundo Messias, a partir desta semana ele iniciará conversas diretas com cada senador, com o objetivo de ouvir preocupações sobre o Judiciário e apresentar sua visão para o STF. Ele afirmou que pretende “agir em defesa da Constituição Federal” caso seja aprovado.
Na mensagem, o AGU exaltou o papel institucional de Alcolumbre e destacou que aprendeu a observar a política como espaço essencial para resolver conflitos e definir rumos do país. Defendeu ainda que o diálogo entre os Poderes deve ser aprofundado para fortalecer a “institucionalidade democrática”.
A sabatina de Messias ainda não tem data marcada. Enquanto isso, o ambiente político em Brasília segue tensionado pela controvérsia envolvendo a prisão de Bolsonaro, cuja legalidade e fundamentação deverão ser analisadas pelo plenário do próprio STF.
*Com informações da Agência AE
