O pastor Silas Malafaia divulgou um vídeo em que contesta a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro. O religioso afirmou que o magistrado “omitiu fatos importantes” ao construir a linha do tempo que embasou sua decisão.
Malafaia criticou especialmente o trecho em que Moraes relata supostos descumprimentos das medidas cautelares impostas ao ex-presidente. O ministro apontou que Bolsonaro violou as regras em 21 de julho, ao usar redes sociais, e em 3 de agosto, ao participar virtualmente de manifestações com bandeiras dos Estados Unidos. Segundo o pastor, essa versão “não corresponde à verdade”.
O líder religioso apresentou outra cronologia. Ele afirma que, em 9 de julho, o governo dos Estados Unidos enviou uma carta ao Brasil criticando o processo contra Bolsonaro. Em 18 de julho, Moraes teria então aplicado novas restrições, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de utilização de redes sociais.
Malafaia também mencionou um documento americano de 30 de julho que citava o ministro Moraes ao justificar tarifas impostas contra o Brasil, alegando “assédio, censura e perseguição” ao ex-presidente. Para ele, o ato realizado em 3 de agosto — convocado pelo próprio pastor — tinha caráter de protesto contra “censura”, sem relação com tarifas ou tentativa de pressionar o STF. Ele acusa o ministro de usar recortes da imprensa para vincular Bolsonaro ao evento.
O pastor ainda contestou a narrativa de que Bolsonaro teria violado de forma consciente a tornozeleira eletrônica. Moraes afirmou em seu voto que houve violação dolosa. Já Bolsonaro declarou, em audiência de custódia, que passou por um “surto” provocado pela combinação de medicamentos controlados.
Segundo Malafaia, o ministro ignorou o laudo médico apresentado pela defesa, o que, na visão dele, demonstra “desrespeito” e que a prisão do ex-presidente teria sido “preparada” previamente.
