A ação liderada por Greta Thunberg em Veneza — que terminou com sua expulsão da cidade por 48 horas e uma multa de 150 euros — reacendeu o debate sobre os limites dos protestos ambientais. Ao tingir de verde o Grande Canal, a ativista e outros 35 integrantes do Extinction Rebellion chamaram atenção, mas não pelo motivo que desejavam.
Apesar de afirmarem que usaram fluoresceína, substância que, segundo o grupo, seria inofensiva, autoridades italianas classificaram a intervenção como um ato de desrespeito ao patrimônio histórico e à fragilidade ambiental da cidade. O governador de Vêneto, Luca Zaia, criticou duramente a ação e alertou que despejar qualquer substância nos canais — mesmo sob alegações de segurança — representa um risco para um ecossistema tão sensível quanto o de Veneza.
Ao invés de fortalecer o debate sobre a transição energética e a frustração global com os resultados da COP30, o protesto acabou desviando os holofotes para a postura do movimento. A imagem do canal tingido de verde e o ato performático sobre a Ponte Rialto acabaram prejudicando a credibilidade da causa ambiental, ao transformar uma demanda urgente em espetáculo.
Em um momento decisivo para o planeta, no qual sociedades e governos precisam discutir soluções concretas para o abandono gradual dos combustíveis fósseis, ações que beiram o vandalismo podem mais atrapalhar do que impulsionar a agenda climática. Quando o método se sobrepõe à mensagem, a causa perde força — e abre espaço para narrativas contrárias aos movimentos ambientais.
A repetição de atos semelhantes em outras cidades italianas, como Turim, Bolonha e Milão, também reforça o alerta sobre a radicalização de grupos que, ao priorizar o impacto visual, acabam desprezando o respeito ao patrimônio e à população local.
Se o objetivo era pressionar pela urgência climática, o efeito prático foi oposto: Greta e seus colegas ampliaram as críticas à sua abordagem e criaram mais um desgaste desnecessário em um debate que exige responsabilidade, seriedade e diálogo — não espetáculos que colocam em risco a legitimidade da própria causa ambiental.
