A relação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o governo Lula atingiu seu pior momento desde o início do mandato. A indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF) sem qualquer aviso prévio ao chefe do Senado provocou uma ruptura que tem movimentado os bastidores de Brasília.
Segundo apuração do Estadão, Alcolumbre ficou “revoltado” com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou a aliados que, daqui para frente, será um “novo Davi” nas relações com o Palácio do Planalto. Em tom de ameaça, ele disse que mostrará ao governo “o que é não ter o presidente do Senado como aliado”. A declaração teria sido feita na última quinta-feira (20), logo após o anúncio oficial da indicação de Messias.
O estopim para o rompimento foi o fato de Lula ignorar a preferência explícita de Alcolumbre: o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e aliado do amapaense. Dois dias antes da escolha de Messias, Alcolumbre já havia demonstrado irritação ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), após saber que Lula se reuniu com Pacheco para tentar desestimular sua pretensão ao STF. “Não me procure mais”, teria disparado.
Com o desgaste, o presidente do Senado passou a reativar projetos que contrariam diretamente os interesses do governo. Entre eles está a chamada “pauta-bomba”, aprovada nesta terça-feira (25). O texto regulamenta a aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, impondo um impacto estimado em R$ 20 bilhões nas contas públicas ao longo de dez anos.
A irritação de Alcolumbre se somou ao clima de distanciamento institucional que marcou o dia: ele e o presidente da Câmara, Hugo Motta, faltaram ao evento em que Lula sancionou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda — gesto interpretado por aliados como recado político.
O episódio expõe uma nova fase de tensão entre Executivo e Senado, justamente no momento em que o governo precisará de articulação intensa para aprovar a indicação de Jorge Messias ao STF.
*Com informações do Pleno News
