Em entrevista ao Balanço Geral PE, da TV Guararapes, nesta terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou abertamente sobre um dos projetos mais emblemáticos — e atrasados — de seus mandatos: a Transnordestina. Visivelmente frustrado, Lula afirmou sentir uma “tristeza muito grande” por ainda não ter conseguido entregar a ferrovia, planejada para conectar os portos de Pecém (CE) e Suape (PE) ao cerrado do Piauí, e que foi uma promessa feita há quase duas décadas.
O presidente relembrou que o compromisso foi assumido com o ex-governador Miguel Arraes, figura histórica da política pernambucana. “Prometi ao meu velho e saudoso companheiro Miguel Arraes que, se ganhasse as eleições, faria a Transnordestina. Era para ser inaugurada em 2012”, disse Lula, ressaltando que o projeto enfrentou um caminho marcado por paralisações, disputas judiciais e uma série de entraves burocráticos.
Segundo ele, o processo foi tão complexo que exigiu pelo menos 31 reuniões envolvendo nomes centrais da política nordestina — entre eles Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, Cid Gomes, ex-governador do Ceará, e Wellington Dias, ex-governador do Piauí. Mesmo assim, os impasses que se acumularam ao longo dos anos impediram a conclusão da obra.
Apesar da demora, Lula garantiu que sua gestão retomou o projeto com prioridade renovada. “Não foi possível inaugurar, mas retomei porque quero inaugurar”, afirmou, reforçando que a ferrovia terá papel estratégico no desenvolvimento econômico do país. Para o presidente, a Transnordestina representa não apenas uma promessa política, mas uma infraestrutura essencial para impulsionar o Nordeste e integrar a região à economia nacional de forma mais eficiente.
A declaração reacende o debate sobre obras estruturantes que atravessam governos e ciclos políticos, mas que continuam fundamentais para o crescimento regional. Lula, por sua vez, deixa claro que pretende transformar uma antiga pendência em um marco de seu governo — e, sobretudo, em uma vitória simbólica para o Nordeste.
