O presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez nesta terça-feira (2) uma de suas declarações mais duras desde o início da guerra na Ucrânia. Embora tenha afirmado não ter interesse em entrar em conflito com países europeus, advertiu que, caso a Europa opte pelo enfrentamento, a Rússia está preparada “agora mesmo” para responder.
“Não temos planos para lutar contra a Europa; mas, se a Europa quiser lutar, estamos prontos agora mesmo”, disse Putin, segundo a imprensa internacional. O líder russo afirmou ainda que a União Europeia estaria impedindo os Estados Unidos de avançar em um acordo de paz com Kiev.
Putin afirmou que, na Ucrânia, as forças russas atuam com “cautela” e de maneira “cirúrgica”, mas garantiu que a postura seria muito diferente caso um confronto direto com países europeus se concretizasse. “Em caso de ataque da Europa, será diferente”, declarou.
A fala ocorre um dia após o presidente russo rejeitar os pontos revisados do plano de paz elaborado pelos EUA em conjunto com Ucrânia e União Europeia. Kiev e Bruxelas reduziram o documento de 28 para 20 propostas, depois de considerarem que partes do plano original favoreciam excessivamente Moscou. Entre os pontos retirados estavam a garantia de que a Ucrânia nunca ingressaria na Otan, a redução de 300 mil soldados no exército ucraniano e a cessão de um quinto do território do país.
Mesmo com as alterações, Putin classificou as condições impostas pelos europeus como “totalmente inaceitáveis”, sem especificar quais seriam os principais entraves. A declaração foi feita durante encontro em Moscou com o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, que tenta reabrir caminhos para uma negociação diplomática.
As novas declarações ampliam a tensão entre Moscou e o Ocidente no momento em que esforços internacionais para um cessar-fogo enfrentam impasses cada vez mais profundos.
