Em meio ao crescente mal-estar entre o Planalto e o Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa de seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, e afirmou não compreender a dimensão política que sua escolha ganhou na Casa Alta. Segundo o petista, não há motivo para a controvérsia que se instalou em torno da indicação.
“Eu não entendo o porquê da polêmica, não é o primeiro ministro que eu indico. Eu já indiquei oito ministros. Eu simplesmente escolho uma pessoa, mando para o Senado, o Senado faz um julgamento para saber se a pessoa está qualificada ou não. Eu não sei por que foi transformado um problema político dessa monta. Eu espero que seja resolvido”, disse Lula em entrevista à TV Verdes Mares, em Fortaleza.
O presidente reforçou estar “muito tranquilo” quanto à decisão e afirmou que Messias tem plena capacidade para ocupar a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso. “Eu cumpri com meu papel. Mandei um nome que eu entendo que tem qualificação profissional para ser ministro da Suprema Corte”, declarou.
A escolha de Messias, porém, provocou irritação no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que se queixa de não ter sido consultado e defendia a indicação do ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A resistência entre senadores é considerada significativa: estimativas apontam que Messias teria hoje entre 20 e 30 votos — número insuficiente para alcançar os 41 necessários para aprovação.
O impasse abriu espaço para alternativas dentro do próprio governo. Entre os nomes que voltaram a ganhar força nos bastidores está o da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), vista como mais palatável ao Senado e capaz de atender à pressão pela indicação de uma mulher para o STF, bandeira que Lula tem procurado manter acesa.
A tensão aumentou após Alcolumbre cancelar a sabatina de Messias, marcada para 10 de dezembro, alegando que o Planalto ainda não enviou a carta oficial formalizando a indicação. A demora, no entanto, é interpretada como estratégia do governo para dar ao advogado-geral da União mais tempo de articulação com parlamentares.
Com a crise aberta e articulações em curso, o futuro de Messias no Supremo segue indefinido — e a queda de braço entre o Planalto e o Senado promete novos capítulos nos próximos dias.