O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom nesta quarta-feira (3) ao comentar a escalada de casos de violência contra mulheres no país. Em meio a crimes que chocaram o Brasil nos últimos dias, Lula afirmou que mobilizará os homens para enfrentar o problema e declarou abertamente que não quer apoio eleitoral de agressores.
“Como presidente da República, vou fazer um movimento dos homens de bem nesse país, dos homens de bem contra a violência contra a mulher. Ontem eu disse em um comício: quem bate em mulher não precisa votar em mim. Essa mão que bate em uma mulher não precisa votar em mim. É uma vergonha ser violento”, disse o presidente.
O pronunciamento ocorre após uma sequência de episódios brutais noticiados pela imprensa. Na capital paulista, uma mulher teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um quilômetro. Em Pernambuco, um homem incendiou a casa onde vivia com a esposa grávida e quatro filhos, matando toda a família. No Ceará e na Bahia, outros casos de feminicídio e violência extrema também vieram à tona.
Segundo Lula, a primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, pediu que ele assuma uma luta “mais dura” contra a violência doméstica. O presidente relatou que acordou com Janja chorando ao ler as notícias de feminicídio publicadas no último domingo.
“Eu resolvi assumir a tarefa de tentar criar uma mobilização de homem neste país. Porque a violência é do homem contra a mulher. Nós, homens, vamos ter que criar juízo, criar vergonha, nos educar. O que não dá é aceitar como normal o cidadão achar que tem direito sobre a companheira”, afirmou.
Lula ainda descreveu os casos recentes que o impactaram. “Aquele carro arrastando aquela mulher por um quilômetro, que teve as duas pernas amputadas. Depois, uma mulher trancada dentro de casa, grávida, com três filhos, e o marido toca fogo na casa. Depois, um marido que descarrega duas pistolas na esposa. Depois, uma criança de 2 anos na Bahia que foi violentada e estuprada”, enumerou.
O presidente defendeu que os homens precisam assumir responsabilidade no enfrentamento à violência doméstica e protagonizar uma mudança de comportamento. “A mão da gente foi feita para trabalhar, para fazer cafuné, e não para fazer violência na mulher”, disse, sem confirmar se pretende transformar a iniciativa em uma campanha oficial.
“É uma campanha de homem que tem vergonha na cara, que tem caráter, que tem respeito. É dizer para o seu amigo: ‘não bata na mulher, não seja violento; se você não gosta mais dela, tome um rumo e vá embora’”, concluiu.
No ano passado, Lula enfrentou críticas após uma declaração irônica ao relacionar violência doméstica a torcedores de futebol, comentário que ele justificou como uma brincadeira infeliz. Desta vez, o presidente tenta reforçar uma postura mais incisiva diante da piora nos índices de feminicídio registrados no país em 2025.
