O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar, nesta quarta-feira (3), que sua prisão em 2018 teve motivação política e teve como objetivo impedir seu retorno à Presidência da República. A declaração foi feita durante evento no Ceará para a entrega das Carteiras Nacionais Docentes do Brasil e de equipamentos do Programa Mais Professores.
“Me prenderam em 2018 para que eu não pensasse mais e não voltasse a ser presidente. Falaram as maiores calúnias a meu respeito. Eu era o maior ladrão do mundo, segundo a língua dos meus adversários. E a maior alegria que recebi foram as mulheres do Ceará erguendo cartazes dizendo: ‘Lula ladrão, roubou meu coração’. Vocês não têm noção do significado daquele gesto”, afirmou o petista.
Lula também reiterou que deixou a prisão como “inocente” e que resistiu a propostas de acordo que lhe permitiriam cumprir pena em liberdade com tornozeleira eletrônica. Segundo ele, a sugestão foi recusada por considerar o acessório uma forma de admitir culpa.
“Eu poderia ter saído do Brasil, eu poderia ter ido para uma embaixada, mas sou teimoso. Fui para a Polícia Federal, fiquei 580 dias lá. Vieram me oferecer um acordo para sair com tornozeleira eletrônica. Eu disse que não era pombo-correio e não queria tornozeleira. Falei que não trocava minha liberdade e que ia sair inocente. E cá estou eu, presidente da República pela terceira vez”, declarou.
O discurso ocorre em meio a uma série de debates políticos e judiciais envolvendo figuras do Judiciário e críticas da oposição, que frequentemente rememoram os processos que levaram Lula à prisão no âmbito da Operação Lava Jato — decisões posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro.
Com forte tom emocional e político, Lula utilizou o evento no Ceará não apenas para anunciar investimentos na educação, mas também para reforçar sua narrativa sobre o período em que ficou preso e a reviravolta que o levou novamente ao comando do país.
