A cúpula do PT avalia que o Centrão se alinhou à extrema-direita no Congresso com o objetivo de sabotar o governo Lula e fortalecer um projeto político adversário em 2026 — liderado, na visão do partido, pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A interpretação consta da proposta de resolução política que começa a ser debatida nesta sexta-feira (5) pela Executiva Nacional e será votada pelo Diretório no sábado (6), em Brasília.
O texto, elaborado pela corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), ligada ao presidente Lula, descreve São Paulo como “laboratório” da agenda “privatista e de redução radical do papel do Estado”, comandada por Tarcísio. O partido afirma que governadores alinhados à direita estariam “atuando para sabotar políticas do governo federal” em áreas como segurança, educação e infraestrutura.
Embora a resolução não cite diretamente o Centrão, o documento acusa “setores da extrema-direita e conservadores que controlam o Congresso” de promoverem instabilidade e esvaziarem o presidencialismo ao se apropriar do orçamento. O PT cita como símbolo dessa crise a sanção da isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, comemorada no dia 26 de novembro, seguida pela derrota com a derrubada dos vetos de Lula no chamado “PL da Devastação” — aprovado, segundo o partido, sem diálogo federativo ou respaldo científico.
A tensão aumentou após Lula indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, irritando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia Rodrigo Pacheco. O PT, no documento, afirma que a disputa por cadeiras no Senado em 2026 será crucial e defende mobilização total do governo para ampliar bancadas.
O texto também reacende o debate sobre a criação de um Ministério da Segurança Pública. A legenda reconhece que o tema se tornou “uma questão nacional incontornável” diante do avanço do crime organizado e das preocupações do eleitorado. Tarcísio, por sua vez, elevou o tom nesta semana ao classificar a PEC da Segurança do governo como “cosmética” e defender a redução da maioridade penal.
O partido também analisa que a prisão de Jair Bolsonaro “recoloca a direita em xeque”, mas alerta que o bolsonarismo segue organizado e mobilizado.
Nesta sexta, o PT lança seu 8º Congresso Nacional, previsto para abril de 2026, que discutirá diretrizes do pós-Lula. O novo programa partidário será coordenado por José Dirceu e deve incluir propostas como justiça tributária, tarifa zero e revisão do modelo de jornada de trabalho.
*Com informações da Agência AE
