A tensão entre Elon Musk e a União Europeia atingiu um novo patamar nesta segunda-feira (8). Após o bilionário afirmar no X (antigo Twitter) que “a UE deveria ser abolida”, a Comissão Europeia respondeu publicamente, classificando as declarações como absurdas — mas ainda dentro dos limites da liberdade de expressão.
“Isso faz parte da liberdade de expressão que nós valorizamos na UE, e que permite até mesmo declarações completamente loucas”, afirmou Paula Pinho, porta-voz do órgão executivo europeu. A declaração veio em meio à repercussão da multa de 120 milhões de euros (cerca de R$ 747 milhões) aplicada ao X na sexta-feira, sob o regulamento da Lei dos Serviços Digitais (DSA).
A sanção — uma das mais pesadas já impostas a uma big tech pelo bloco — provocou reações imediatas de Musk e também da equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante o fim de semana, o empresário publicou e compartilhou diversas mensagens atacando a UE. Em uma delas, escreveu que os Estados-membros deveriam “recuperar sua soberania”.
A polêmica cresceu ainda mais quando Musk respondeu “é mais ou menos isso” a uma usuária que comparou a União Europeia à Alemanha nazista, chamando o bloco de “quarto Reich”. As comparações geraram indignação entre diplomatas e especialistas em política internacional.
Além disso, o senador americano Marco Rubio, chefe da diplomacia dos EUA, afirmou no X que a multa representava “um ataque contra todas as plataformas tecnológicas americanas e contra o povo dos Estados Unidos por governos estrangeiros”.
Mas, segundo a Comissão Europeia, a punição tem base clara: o X violou regras essenciais de transparência previstas na DSA. Entre os problemas identificados estão:
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uso enganoso das marcas de verificação azuis, que deveriam certificar fontes confiáveis;
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falta de transparência em anúncios;
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descumprimento da obrigação de permitir acesso aos dados internos para pesquisadores autorizados.
Enquanto a UE reforça que seguirá aplicando a legislação para garantir mais segurança digital, Musk continua a desafiar abertamente o bloco — e a polêmica promete se intensificar. O embate reacende debates sobre liberdade de expressão, regulação tecnológica e os limites do poder das gigantes das redes sociais.