A cena política de Goiana voltou a ganhar temperatura, e desta vez quem resolveu jogar gasolina na fogueira foi o Tenente Coronel Menezes Goiana. O militar da reserva, que já foi filiado ao PSB e chegou a disputar a Prefeitura de Goiana pela sigla em 2016, decidiu comentar publicamente a movimentação que envolve o atual prefeito Marcilio Régio, o PSB e o projeto estadual de João Campos.
O estopim foi a matéria do Radar Político365, que revelou o interesse do PSB em atrair Marcilio para assumir a coordenação política da pré-campanha de João Campos ao Governo de Pernambuco na Mata Norte. A operação socialista, conduzida em absoluto silêncio, acendeu um alerta no município — e não por acaso. O movimento ocorre justamente no momento em que o ex-prefeito Eduardo Honório, padrinho e aliado decisivo de Marcilio na eleição suplementar, rompe a sintonia e decide marchar com a governadora Raquel Lyra, tornando-se coordenador político dela em Goiana para a reeleição.
Em outras palavras, enquanto Marcilio flerta com o PSB, Honório veste a camisa do PSD de Raquel. Uma dança de cadeiras que não passou despercebida por ninguém — muito menos pelos operadores experientes do jogo político.
Foi nesse clima que Menezes Goiana resolveu disparar sua crítica. Em tom duro, direto e recheado de farpas contra o PSB, escreveu nas redes sociais:
“O PSB de Pernambuco é igual o inseto de luz: se aproxima de onde tem luz e se afasta de quem perde a luz. Se o prefeito tiver futuro político só de glórias, o PSB será seu fiel escudeiro; mas se tiver sobressaltos, eles têm um punhal bem afiado para enfiar nas costas de Marcílio e se aliarem aos algozes sem o menor pudor!”
A declaração repercutiu rapidamente entre lideranças locais, reacendendo lembranças das turbulências do PSB na região. Menezes, que conhece bem os bastidores socialistas por ter disputado a prefeitura pela legenda, resgatou a velha acusação de que o partido só se aproxima de quem está em ascensão — e larga sem nenhum constrangimento quem começa a perder musculatura.

O comentário surge justamente quando Marcilio se encontra no epicentro da polarização que divide Pernambuco: Raquel Lyra de um lado, João Campos do outro. Enquanto o prefeito do Recife tenta atrair Marcilio para ampliar sua força na Mata Norte, Raquel avança com Honório, reorganizando seu palanque e demarcando território no município.
A pergunta que circula nos corredores e cafés políticos é simples, mas incômoda: até onde Marcilio está disposto a ir na direção do PSB sabendo que seu antigo padrinho e aliado atravessou a rua e se abrigou ao lado da governadora? E mais: qual será o impacto desse movimento dentro da própria prefeitura, que ainda abriga — pelo menos por enquanto — quadros e setores ligados a Honório?
