O presidente da Rússia, Vladimir Putin, voltou a adotar um tom firme em relação à guerra na Ucrânia e declarou nesta quarta-feira (17) que Moscou alcançará “sem nenhuma dúvida” os objetivos definidos no conflito, incluindo o controle dos territórios que o Kremlin reivindica como parte do país. A afirmação foi feita em Moscou, durante uma reunião com altos funcionários do Ministério da Defesa, em um momento marcado por intensas articulações diplomáticas para tentar encerrar a guerra iniciada em fevereiro de 2022.
Ao se referir à ofensiva como “operação militar especial”, expressão oficial usada pelo governo russo, Putin afirmou que a preferência de Moscou é resolver o conflito por meio do diálogo e eliminar o que chama de “causas profundas” da guerra. No entanto, deixou claro que essa possibilidade depende da disposição da Ucrânia e de seus aliados ocidentais. Caso não haja, segundo ele, um engajamento “substancial” nas negociações, a Rússia seguirá pelo caminho militar para atingir seus objetivos.
As declarações do líder russo ocorrem poucos dias depois de Kiev sinalizar avanços nas discussões sobre futuras garantias de segurança. O governo ucraniano avaliou de forma positiva as conversas realizadas em Berlim com representantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao longo de dois dias. Apesar disso, o presidente Volodimir Zelensky admitiu que persistem divergências significativas, especialmente em relação aos territórios que a Ucrânia poderia ser pressionada a ceder.
Nos bastidores, propostas iniciais apresentadas por Washington geraram preocupação em Kiev e entre aliados europeus. Um esboço elaborado sem a participação direta da Europa previa a retirada das forças ucranianas de toda a região de Donetsk e o reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, de áreas como Donetsk, Crimeia e Luhansk como território russo. Embora o plano tenha passado por revisões, seu conteúdo final ainda permanece indefinido.
O Kremlin acompanha as negociações à distância e afirma aguardar um posicionamento oficial dos Estados Unidos. O porta-voz Dmitri Peskov declarou que Moscou espera ser informada sobre os resultados das conversas conduzidas com ucranianos e europeus assim que os norte-americanos concluírem seus trabalhos diplomáticos.
A disputa territorial está no centro do impasse. Em setembro de 2022, a Rússia anunciou a anexação das regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, apesar de não exercer controle militar pleno sobre todas elas. Para Kiev e a comunidade internacional, as anexações são consideradas ilegais, enquanto Moscou insiste que essas áreas fazem parte de seu território.
Com o conflito entrando em mais um ano sem uma solução clara, as falas de Putin reforçam a estratégia russa de combinar pressão militar com abertura seletiva ao diálogo. O cenário, no entanto, segue marcado pela incerteza, com negociações delicadas, interesses conflitantes e um futuro ainda indefinido para a Ucrânia e para a estabilidade da região.
