O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas aos impactos da robotização no mercado de trabalho e associou o avanço tecnológico ao aumento do desemprego, da pobreza e da desigualdade social no país. A declaração foi feita nesta quarta-feira (16), durante uma reunião ministerial na Granja do Torto, em Brasília, marcada por um discurso direto sobre economia, relações de trabalho e o cenário político que se desenha para o próximo ano.
Ao citar exemplos da indústria automotiva, Lula comparou o passado com a realidade atual para ilustrar o que considera uma distorção provocada pela automação. Segundo ele, empresas que antes empregavam cerca de 40 mil trabalhadores e produziam pouco mais de mil veículos por ano hoje funcionam com aproximadamente 12 mil funcionários e fabricam o dobro de carros. Para o presidente, os ganhos de produtividade não foram compartilhados com quem vive do trabalho. “Quem ganhou? Não foram os trabalhadores”, afirmou, ao questionar a distribuição dos benefícios gerados pela tecnologia.
Diante desse cenário, Lula defendeu que a redução da jornada de trabalho deveria ser uma iniciativa natural do setor empresarial, e não um tema tratado como tabu. Na avaliação do presidente, se a tecnologia permite produzir mais com menos pessoas, cabe às empresas propor modelos que preservem empregos e qualidade de vida, em vez de ampliar desigualdades.
O discurso também teve um forte tom político. Lula afirmou que o atual momento exige profissionalismo e pragmatismo de sua equipe e deixou claro que enxerga a próxima disputa eleitoral como um embate de projetos de país. Sem citar nomes, disse que possíveis adversários não demonstram o mesmo compromisso social e alertou para o risco de o povo voltar a ser ignorado nas decisões de governo. “Essa gente não enxerga o povo”, declarou, ao reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas aos mais vulneráveis.
Ao se dirigir aos ministros, o presidente ressaltou a importância da confiança mútua dentro do governo. Disse que, ao longo de sua trajetória, aprendeu a construir relações baseadas em lealdade e responsabilidade, destacando que muitos integrantes da equipe ele conheceu apenas pela imprensa antes de convidá-los para compor o governo.
As declarações de Lula reforçam a intenção do Palácio do Planalto de recolocar o debate sobre trabalho, tecnologia e justiça social no centro da agenda política. Em meio às transformações aceleradas do mercado e ao avanço da automação, o presidente sinaliza que pretende enfrentar o tema não apenas como uma questão econômica, mas como um desafio social que definirá os rumos do país nos próximos anos.
