O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta quinta-feira (18) que o ditador venezuelano Nicolás Maduro não tem autoridade para dar ordens às Forças Armadas colombianas. A declaração foi uma resposta direta ao apelo feito por Maduro para que militares da Venezuela e da Colômbia atuem juntos na proteção da soberania dos dois países em meio ao aumento da tensão regional.
De forma categórica, Petro rejeitou qualquer possibilidade de subordinação ou comando externo. Segundo o presidente colombiano, a relação entre os dois países precisa ser baseada exclusivamente no respeito mútuo entre Estados soberanos. Ele destacou que, assim como não pode ordenar nada ao Exército venezuelano, tampouco aceita que autoridades estrangeiras tentem influenciar ou direcionar as forças militares da Colômbia.
A reação ocorre após Maduro defender, na quarta-feira (17), uma colaboração mais direta entre os militares dos dois países, alegando a necessidade de garantir a paz e a estabilidade regional diante da intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Mar do Caribe, sob o argumento de combate ao narcotráfico.
Petro ponderou que somente um processo político profundo, sustentado pela soberania popular, poderia permitir qualquer tipo de comando militar compartilhado entre nações. Ele mencionou, de forma histórica, a antiga Grã-Colômbia — união que reuniu Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá no século XIX — para reforçar que, sem um novo pacto constituinte entre os povos, não há legitimidade para interferência militar entre países.
O presidente colombiano também fez referência à única organização armada que atua de forma binacional entre os dois territórios: o Exército de Libertação Nacional (ELN). Petro classificou o grupo guerrilheiro como inimigo não apenas da Colômbia e da Venezuela, mas de toda a América Latina, responsabilizando sua atuação violenta pelo aumento dos homicídios em regiões fronteiriças, como Catatumbo.
Apesar de o governo colombiano ter iniciado diálogos de paz com o ELN em novembro de 2022, as negociações estão suspensas desde agosto de 2024, após o fim de um cessar-fogo bilateral. A declaração de Petro reforça a tentativa de equilibrar a relação com a Venezuela, mantendo canais diplomáticos abertos, mas deixando claro os limites da cooperação militar entre os dois países.
*Com informações da Agência EFE
