O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar reações internacionais ao nomear um enviado especial para a Groenlândia com uma missão explícita: trabalhar para que o território autônomo da Dinamarca passe a integrar os Estados Unidos.
O escolhido foi Jeff Landry, governador do estado da Louisiana desde 2024. O anúncio foi feito na noite deste domingo (21) por meio da rede social Truth Social, onde Trump afirmou que Landry será o “enviado especial dos Estados Unidos para a Groenlândia”, destacando a importância estratégica da ilha para a segurança nacional americana.
Na publicação, Trump elogiou o aliado político e afirmou que a Groenlândia é “essencial para a segurança e a sobrevivência” não apenas dos Estados Unidos, mas também de seus aliados. Pouco depois, em mensagem divulgada na rede X, Landry esclareceu que o cargo será exercido de forma voluntária e acumulado com suas funções como governador.
A nomeação reacende uma pauta controversa que Trump vem defendendo reiteradamente nos últimos meses. O presidente já declarou publicamente o desejo de “ficar” com a Groenlândia, citando razões militares, geopolíticas e econômicas. O interesse norte-americano se insere em uma agenda mais ampla de expansão estratégica, que também inclui declarações sobre o Canadá e o Canal do Panamá.
Segundo revelou o The Washington Post, a Casa Branca chegou a levantar estimativas sobre os custos de aquisição e administração da Groenlândia, além do potencial de exploração de seus recursos naturais, especialmente minerais estratégicos. Em declarações anteriores, Trump chegou a afirmar que não descartava o uso da força para anexar a ilha.
Com cerca de 57 mil habitantes, a Groenlândia ocupa posição estratégica no Ártico, região cada vez mais disputada por potências globais devido às rotas de navegação e à presença de recursos naturais. Apesar disso, tanto as autoridades locais — que possuem direito à autodeterminação desde 2009 — quanto o governo dinamarquês e a União Europeia rejeitaram de forma categórica qualquer possibilidade de anexação.
Ainda assim, Copenhague e a Groenlândia já sinalizaram disposição para cooperar com Washington na área de defesa, especialmente porque a ilha abriga uma base militar dos Estados Unidos, fruto de um acordo firmado há mais de 70 anos. A nomeação de um enviado especial, no entanto, adiciona um novo elemento de tensão diplomática e coloca novamente a Groenlândia no centro de um tabuleiro geopolítico cada vez mais sensível.
*Com informações da Agência EFE
