A tensão geopolítica envolvendo o petróleo venezuelano ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (22), com a China entrando de forma direta no embate entre a Venezuela e os Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, acusou Washington de cometer “grave violação do direito internacional” ao apreender navios petroleiros venezuelanos no Caribe.
Segundo Lin Jian, uma das embarcações interceptadas tinha como destino o mercado chinês e transportava cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo bruto. Para Pequim, a detenção de navios de outras nações, sem respaldo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, configura prática ilegal e abuso de poder. O porta-voz reiterou que a China se opõe a sanções unilaterais e classificou a ação americana como arbitrária.
O navio em questão, batizado originalmente de Centuries, navegava sob o nome falso “Crag” para driblar as sanções impostas pelos Estados Unidos. A carga, oriunda do campo de Merey, foi adquirida pela Satau Tijana Oil Trading, empresa intermediária que opera junto à estatal PDVSA e a refinarias independentes chinesas, segundo informações divulgadas por autoridades.
Do lado americano, a versão é outra. A secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, afirmou que o navio-tanque fazia parte da chamada “frota fantasma venezuelana”, utilizando bandeira falsa para traficar “petróleo roubado” e financiar o governo de Nicolás Maduro, classificado por Washington como regime “narcoterrorista”.
Em Caracas, a reação foi imediata e agressiva. O presidente Nicolás Maduro descreveu a apreensão como “pirataria de corsários” e acusou os Estados Unidos de conduzirem uma campanha sistemática de agressão contra a Venezuela, que incluiria desde pressão psicológica até ataques diretos ao comércio marítimo do país.
A entrada da China no debate eleva o tom do confronto e amplia o alcance da crise, transformando a apreensão de petroleiros em mais um ponto sensível na disputa entre grandes potências. Com interesses energéticos, estratégicos e diplomáticos em jogo, o episódio deixa claro que a guerra das sanções extrapola fronteiras e segue redesenhando alianças no tabuleiro internacional.
*Com informações da Agência EFE
