O vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes, veio a público nesta terça-feira (23) para rebater informações de que teria se reunido com o presidente do Banco Central para interceder em favor do Banco Master, instituição financeira investigada por fraudes bilionárias. Em nota oficial, Moraes confirmou o encontro, mas afirmou que o assunto tratado foi exclusivamente a aplicação da Lei Global Magnitsky e seus efeitos sobre o sistema financeiro brasileiro.
Segundo o ministro, a reunião com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, não teve qualquer relação com interesses específicos do Banco Master. De acordo com a versão apresentada, o foco foi discutir as consequências práticas das sanções previstas na legislação internacional, especialmente no que diz respeito à manutenção de contas bancárias, cartões de crédito e débito e à continuidade de operações financeiras em casos atingidos pela norma.
Moraes informou ainda que manteve encontros semelhantes com a presidente do Banco do Brasil, além do presidente e do vice-presidente jurídico do Banco Itaú. Também participou de uma reunião conjunta com representantes da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), do BTG e dos vice-presidentes do Santander e do Itaú, todos, segundo ele, com a mesma pauta: os impactos da Lei Magnitsky sobre o funcionamento do sistema bancário.
A manifestação ocorre após reportagem da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, apontar que Moraes teria procurado Galípolo para tratar da situação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O caso ganhou ainda mais repercussão após a revelação de um contrato milionário entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci, no valor de R$ 129 milhões.
No comunicado, Moraes foi categórico ao afirmar que “em todas as reuniões foram tratados exclusivamente assuntos específicos sobre as graves consequências da aplicação da referida lei”, afastando qualquer atuação em favor de instituições financeiras sob investigação. A nota busca estancar a crise política e institucional que se formou em torno do episódio, mas o tema segue alimentando debates sobre transparência, conflitos de interesse e os limites da atuação de ministros do Supremo em interlocuções com o sistema financeiro.
