Os encontros entre o ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, e o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, não constam nas agendas públicas das duas autoridades, apesar de ambos terem confirmado que as reuniões de fato ocorreram nos últimos meses.
Em nota divulgada na terça-feira (23), Moraes informou que se reuniu com Galípolo em duas ocasiões. A primeira, segundo o ministro, ocorreu em 14 de agosto, pouco depois de ele ter sido incluído na lista de sanções do governo dos Estados Unidos com base na Lei Global Magnitsky, aplicada em 30 de julho. O segundo encontro teria acontecido em 30 de setembro, após a ampliação das sanções que passaram a atingir também sua esposa, a advogada Viviane Barci.
Nenhuma das duas reuniões, no entanto, aparece registrada oficialmente. No Supremo, Moraes integra o grupo majoritário de ministros que não divulgam suas agendas institucionais. Atualmente, apenas Edson Fachin, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin publicam regularmente seus compromissos no site da Corte.
No Banco Central, a situação costuma ser diferente. Galípolo mantém o hábito de tornar públicas suas audiências por meio do sistema e-Agendas, administrado pela Controladoria-Geral da União. Ainda assim, não há qualquer menção a encontros com Moraes nos dias 14 de agosto ou 30 de setembro.
Na data do primeiro encontro citado por Moraes, a agenda oficial de Galípolo registra apenas duas atividades: uma reunião com Roberto Campos Neto, ex-presidente do BC e atual executivo do Nubank, e outra com representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras. Já em 30 de setembro, constavam duas audiências, uma com membros do mercado financeiro e outra com representantes do Fundo Garantidor de Créditos, ambas posteriormente canceladas. Procurada para esclarecer a ausência dos registros, a assessoria do presidente do Banco Central não respondeu aos questionamentos.
*Com informações do Metrópole
