A ONG Educafro cobrou publicamente um posicionamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da denúncia de racismo feita pelo diplomata Filipe Brito Hamburgo, terceiro-secretário do Itamaraty. O caso teria ocorrido durante a COP30 e envolve acusações de injúria racial no ambiente de trabalho.
Segundo a denúncia, Filipe Brito Hamburgo afirmou ter sido alvo de ofensas racistas por parte de seu superior, Thiago Medeiros da Cunha Cavalcanti, que o teria chamado de “macaco” e “gorila”. Após o episódio, o diplomata registrou um boletim de ocorrência no Pará. Cerca de um mês depois, passou a responder a um processo administrativo e, no dia seguinte, tirou a própria vida, fato que ampliou a repercussão e a comoção em torno do caso.
Diante da gravidade da situação, a Educafro recorreu à Lei de Acesso à Informação para solicitar esclarecimentos formais ao Itamaraty sobre as providências adotadas. Até o momento, o ministério informou apenas que apurou a denúncia de injúria racial e que o processo administrativo instaurado não teria relação com o episódio, sem detalhar quais medidas concretas foram tomadas ou o estágio das apurações.
Em nota, a ONG criticou o que classificou como silêncio do governo federal e cobrou uma postura mais firme do Palácio do Planalto. A Educafro comparou a condução do caso com a resposta rápida dada pelo governo Lula em outra situação recente, quando um servidor da Controladoria-Geral da União foi acusado de agressão contra uma mulher, apontando tratamento desigual diante de denúncias graves.
A organização também afirmou que o episódio expõe um problema estrutural no Itamaraty, que, segundo a entidade, persiste desde a entrada dos primeiros diplomatas negros na carreira. Para a Educafro, o caso de Filipe Brito Hamburgo revela falhas profundas na política de combate ao racismo institucional dentro do serviço diplomático brasileiro e exige respostas claras, responsabilizações e mudanças efetivas por parte do governo federal.
