O que foi anunciado como uma reunião institucional para apresentar os resultados dos primeiros seis meses da gestão Marcílio Régio acabou escancarando desconforto interno e ruídos na condução do governo municipal de Goiana. O encontro, realizado nesta terça-feira (30), no Chalé de Cássia, prometia detalhar ações administrativas, orçamento e planejamento para 2026, mas ficou aquém do discurso oficial.
Mesmo com a presença do prefeito Marcílio Régio, da vice-prefeita Lícia e da primeira-dama e secretária de Políticas Sociais, Ana Silveira, o evento teve público reduzido. Poucos vereadores da base compareceram, e as ausências foram justificadas nos bastidores pela véspera de Ano Novo — explicação que não foi suficiente para evitar o esvaziamento político da reunião.
A apresentação conduzida pela secretária de Planejamento, Adriana Mola, foi marcada por sucessivas interrupções do prefeito, da vice e da primeira-dama, que passaram a relatar ações não contempladas nos slides de diferentes pastas. O resultado foi uma exposição fragmentada, com aparência improvisada, destoando do caráter técnico esperado de uma reunião institucional de prestação de contas.
Coube ao procurador-geral do município, Rodrigo Dias, justificar entraves administrativos, destacando dificuldades relacionadas, sobretudo, às contratações temporárias não solucionadas em gestões anteriores.
Já o secretário de Esportes, Gilberto Miranda, reconheceu limitações herdadas pela pasta, mas demonstrou otimismo ao anunciar projetos que, segundo ele, colocariam Goiana em evidência no cenário esportivo estadual a exemplo do Goiana Beach Sports, que será realizada durante o verão de 2026, reunindo grandes competições esportivas e atrações na orla do município.
Nos bastidores, porém, o clima era de inconformismo. O Radar Político365 apurou que secretários presentes se sentiram preteridos, sem espaço para apresentar ações de suas respectivas pastas, enquanto apenas poucos receberam visibilidade durante a reunião.
A relação com a imprensa também chamou atenção. Não houve abertura para perguntas, apesar dos reiterados pedidos. O espaço de fala foi concedido apenas a dois comunicadores, sendo que um deles integra a própria gestão municipal.
O encontro foi encerrado por volta das 17h20 sem a apresentação detalhada do orçamento previsto para 2026 e sem esclarecimentos objetivos sobre investimentos em obras, gastos com festividades ou o retorno financeiro dessas despesas. Para quem esperava transparência e prestação de contas, a reunião terminou deixando a sensação de que o governo falou muito, organizou pouco e explicou menos ainda.
