O assessor de política externa do presidente russo Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, afirmou que a operação dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro, tem como principal motivação o controle das reservas de petróleo do país sul-americano. Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia já havia condenado oficialmente a ação americana.
Dmitriev destacou que a Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, cerca de 20% do total global, o que representa aproximadamente sete vezes mais do que as reservas dos Estados Unidos. Segundo ele, as sanções impostas por Washington ao longo dos últimos anos ajudaram a manter a produção venezuelana em torno de 700 mil barris por dia, muito abaixo da capacidade estimada de até 3 milhões de barris diários.
O assessor observou que, caso a produção da Venezuela seja somada à dos Estados Unidos, os dois países juntos responderiam por quase 20% da oferta mundial de petróleo, número que representa quase o dobro da produção da Arábia Saudita, atualmente em torno de 10% do mercado global. Para Dmitriev, esse cenário daria aos americanos uma influência sem precedentes sobre o mercado internacional de energia.
– É hora de observar os dois pesos e duas medidas em tempo real – escreveu Dmitriev em uma publicação na rede social X. Em outra postagem, ele citou uma declaração do presidente americano Donald Trump sobre a possibilidade de Washington assumir temporariamente o controle político da Venezuela. “Os EUA simplesmente governarão a Venezuela por enquanto”, escreveu, ao reproduzir a fala do republicano.
Além das críticas aos Estados Unidos, Dmitriev direcionou ataques duros a líderes europeus, questionando o silêncio diante da ofensiva americana. Ele citou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, o primeiro-ministro alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
– Que venham agora falar sobre valores europeus e britânicos. Seus falsos valores estão à venda – escreveu o assessor de Putin.
Em tom irônico, Dmitriev afirmou ainda que esperar uma reação firme dos aliados europeus seria inútil.
– Esperar que os vassalos assustados falem é como a peça Esperando Godot – acrescentou, em referência à obra do dramaturgo Samuel Beckett, na qual o personagem central nunca aparece.
As declarações aprofundam o clima de tensão internacional após a ação dos Estados Unidos na Venezuela e evidenciam o reposicionamento da Rússia como uma das principais vozes críticas à intervenção americana na América do Sul.
*Com informações da Agência AE
