O papa Leão XIV afirmou neste domingo (4) que “o bem do povo venezuelano deve prevalecer” diante de qualquer outra consideração, ao comentar a situação da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Em sua fala, o pontífice defendeu a preservação da soberania nacional e do Estado de Direito no país caribenho.
A declaração foi feita da janela do Palácio Apostólico, após a oração do Angelus.
– Com o espírito cheio de preocupação, sigo o desenvolvimento da situação na Venezuela. O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e induzir a superar a violência e tomar caminhos de justiça e paz – disse o papa.
Na sequência, Leão XIV ressaltou princípios institucionais e direitos fundamentais.
– Garantir a soberania do país, assegurar o Estado de Direito inscrito na Constituição, respeitar os direitos humanos e civis de todos e de cada um – acrescentou.
O líder da Igreja Católica também encorajou esforços para a construção de um futuro de estabilidade e concórdia, com atenção especial às populações mais vulneráveis.
– É necessário trabalhar para construir juntos um futuro sereno de colaboração, estabilidade e concórdia, com especial atenção aos mais pobres que sofrem por causa da difícil situação econômica – afirmou.
Leão XIV pediu orações pelo futuro da Venezuela e solicitou a intercessão da padroeira do país, a Virgem de Coromoto, além dos dois primeiros santos venezuelanos, José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles, canonizados por ele no último dia 19 de outubro.
O pontífice, de origem americana e também cidadão peruano por sua trajetória como missionário e bispo, acompanha de perto a realidade latino-americana. Desde sua eleição, em 8 de maio do ano passado, tem se manifestado com cautela sobre a Venezuela.
A última declaração anterior ocorreu em 2 de dezembro, durante o voo de retorno de uma viagem ao Líbano, quando defendeu o diálogo e até o uso de pressões econômicas como forma de incentivar mudanças no país.
– Creio que é sempre melhor buscar formas de diálogo ou pressão, talvez pressões econômicas, mas buscando outra maneira para mudar – disse na ocasião.
Em novembro, o papa também havia defendido o diálogo para aliviar as tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela. Antes disso, a líder opositora María Corina Machado pediu ao pontífice que intercedesse pelos presos políticos no país.
O tema segue sendo acompanhado de perto pelo Vaticano, que conta com o arcebispo venezuelano Edgar Peña Parra como número dois da Secretaria de Estado da Santa Sé, atualmente dirigida pelo cardeal Pietro Parolin.
*Com informações da Agência EFE
