O empresário brasileiro Joesley Batista, controlador do grupo J&F, dono da processadora de carnes JBS, foi apontado por reportagem do jornal americano The Washington Post como um dos interlocutores informais nas negociações entre o governo dos Estados Unidos e o regime de Nicolás Maduro na Venezuela nos meses que antecederam a captura do ditador em operação conduzida por Washington.
Segundo a publicação, Batista viajou a Caracas no fim de novembro com o objetivo de persuadir Maduro a renunciar à presidência e aceitar um exílio na Turquia — proposta que teria sido apresentada como uma saída pacífica da crise venezuelana e a possibilidade de evitar futuras acusações judiciais nos Estados Unidos.
A reportagem destaca que, embora o empresário não tenha atuado oficialmente em nome do governo americano, sua iniciativa foi considerada relevante no contexto das tentativas diplomáticas de evitar um desfecho violento para o conflito político no país vizinho. Relatos apontam que ele teria repassado ao governo de Donald Trump informações sobre o encontro, equipe e propostas discutidas com Maduro, embora a J&F não tenha se manifestado oficialmente até o momento.
Antes da intervenção militar que culminou na prisão do presidente venezuelano no início de janeiro, os Estados Unidos haviam sinalizado opções de saída negociada a Maduro — todas recusadas pelo regime. A atuação de Batista ocorre em meio a esse cenário de negociações e pressões internacionais, numa etapa em que atores não estatais teriam tentado facilitar um desfecho mais suave para a crise política na Venezuela.
A trajetória do empresário em negociações sensíveis tem gerado debates sobre o papel de figuras do setor privado em assuntos de política externa, sobretudo em momentos de tensão geopolítica. A tentativa de conciliação com Maduro, mesmo sem efeito, evidencia a complexidade das articulações prévias à intervenção que redefiniu o cenário político venezuelano e suas repercussões regionais.
