Na nova novela das 19h da Globo, Coração Acelerado, Paula Fernandes assume um papel que transcende o tempo em cena e se firma como o ponto de partida emocional e simbólico da história. Maria Cecília, sua personagem, é a raiz de uma narrativa que coloca a música no centro da trama e reverbera seus efeitos nas relações familiares, nos conflitos e, sobretudo, na construção de mulheres que atravessam gerações em busca de voz e autonomia.
Definida pela própria intérprete como “determinação”, Maria Cecília surge como uma mulher forte e, ao mesmo tempo, doce, guiada pelo sonho de cantar e pela coragem de desafiar as regras impostas dentro de casa. Em um ambiente marcado pelo machismo, ela enfrenta a família e o marido para defender seu desejo de seguir a carreira artística, mesmo sabendo dos limites que a cercam. Ainda assim, a personagem não será retratada apenas pela frustração ou pelas perdas que acumula ao longo do caminho. Embora não realize plenamente o sonho que cultiva, a história revela que, de alguma forma, Maria Cecília alcança aquilo que deseja, deixando um legado que ultrapassa sua própria trajetória.
Na trama, ela é casada com Eliomar, vivido por Stepan Nercessian, e mãe de duas filhas com perfis opostos: a vilã Zilá, interpretada por Leandra Leal, e a sofrida Janete, papel de Letícia Spiller. É na geração seguinte, porém, que o sonho interrompido ganha novo fôlego. A neta Agrado, personagem de Isadora Cruz, será quem concretizará o estrelato musical sonhado pela avó e pela mãe, reforçando a ideia de herança afetiva e artística que atravessa o enredo.
Essa leitura ganha ainda mais força ao dialogar com a própria vivência de Paula Fernandes no universo sertanejo, historicamente dominado por homens. A novela se propõe a olhar esse cenário a partir da perspectiva feminina, evidenciando os desafios enfrentados por mulheres em um espaço pensado, por muito tempo, para duplas masculinas, desde o palco até os bastidores. Para a cantora, embora haja avanços, o caminho ainda exige resistência e união entre gerações.
A construção de Maria Cecília também passa por uma escolha afetiva: incorporar traços da própria Paula sem transformar a personagem em um retrato de si mesma. Doçura, força, determinação e até a estética da artista foram referências apontadas pela direção, em um processo que reforçou o vínculo emocional da intérprete com o papel. Para Paula Fernandes, viver Cecília foi um presente e uma forma de se reconhecer, ainda que parcialmente, na personagem.
Mesmo com uma participação pontual, a cantora acredita que Maria Cecília simboliza uma força que ecoa por toda a novela, dando início a um movimento de mulheres e artistas que se apoiam, resistem e seguem adiante. Coração Acelerado vai ao ar de segunda a sábado, na faixa das 19h da Globo, com reprise alternativa na madrugada.
