Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (14) o início da segunda fase do plano de paz proposto pelo presidente Donald Trump para a Faixa de Gaza, marcando uma mudança decisiva do cessar-fogo para um processo que prevê a desmilitarização do território palestino e a formação de um governo tecnocrata sem a participação do grupo islâmico Hamas. O anúncio foi feito pelo enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, responsável pelas negociações do plano.
Segundo Witkoff, esta nova etapa integra um plano de 20 pontos e tem como objetivo encerrar de forma definitiva o conflito em Gaza, avançando para a reconstrução total do enclave e para a criação de uma administração de transição. A proposta inclui a instalação de um Comitê Nacional para governar Gaza temporariamente, formado por técnicos palestinos, além do desarmamento de todo o pessoal não autorizado e da retirada de estruturas militares existentes no território.
O representante americano foi enfático ao afirmar que Washington espera o cumprimento integral das obrigações por parte do Hamas, incluindo a devolução imediata do corpo do último refém morto ainda sob posse do grupo. Caso isso não ocorra, advertiu, haverá “consequências graves”. A declaração aumenta a pressão internacional sobre o Hamas em um momento de frágil estabilidade na região.
A primeira fase do plano, iniciada em outubro de 2025, previa o cessar-fogo, a libertação dos reféns mantidos pelo Hamas e a ampliação da ajuda humanitária à população palestina. De acordo com Witkoff, esse estágio permitiu a entrada de um volume considerado histórico de assistência humanitária, garantiu a manutenção do cessar-fogo e viabilizou o retorno de todos os reféns vivos, além da repatriação dos corpos de 27 dos 28 reféns mortos. Ainda assim, ataques israelenses ao longo do período resultaram na morte de centenas de palestinos, e a última entrega prevista pelo Hamas não foi realizada.
O enviado especial também destacou o papel de países como Egito, Turquia e Catar, que atuaram como mediadores entre Israel e o Hamas durante as negociações. Apesar do anúncio da nova fase, os Estados Unidos ainda não divulgaram os nomes que integrarão o governo tecnocrata de transição em Gaza, que deverá atuar sob a supervisão de um Conselho de Paz presidido pelo próprio Donald Trump.
Entre os pontos mais sensíveis desta etapa está o desarmamento do Hamas. Em declarações anteriores, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, sinalizou que esse processo poderia ocorrer de forma parcial, desde que o grupo seja incapaz de voltar a ameaçar Israel no futuro. A indefinição sobre esse tema evidencia os desafios que ainda cercam a implementação do plano e reforça o clima de tensão em torno do futuro político e de segurança da Faixa de Gaza.
