O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe nesta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, em um encontro considerado decisivo para o futuro das relações comerciais entre a América do Sul e a Europa. A reunião acontece no Palácio Itamaraty, no centro da capital fluminense, e tem início previsto para as 13h, seguida de uma declaração conjunta à imprensa.
Na pauta, além de temas centrais da agenda internacional, está o avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado pelos europeus na semana passada após mais de 25 anos de negociações. O tratado prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto combinado estimado em US$ 22 trilhões, segundo dados dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O calendário diplomático segue intenso. Uma cerimônia de ratificação do acordo está prevista para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai, com a presença de líderes europeus e ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul. O gesto simboliza um passo relevante rumo à consolidação do tratado, que promete ampliar fluxos comerciais, investimentos e cooperação entre os dois blocos.
O presidente brasileiro tem reforçado o compromisso com a rápida implementação do acordo. Nesta semana, Lula conversou com o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, e ambos concordaram em atuar de forma coordenada para acelerar os processos necessários, com o objetivo de garantir que os benefícios cheguem de maneira concreta à população.
Apesar do entusiasmo de governos e de setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência em alguns países europeus. Agricultores e ambientalistas manifestam preocupação com possíveis impactos ambientais e com a concorrência de produtos sul-americanos, considerados mais baratos. Na França, produtores rurais voltaram a protestar em Paris, utilizando tratores para chamar atenção contra o tratado, que, segundo eles, ameaça a agricultura local.
A implementação do acordo será gradual, e seus efeitos devem ser sentidos ao longo dos próximos anos. Ainda assim, o encontro no Rio de Janeiro reforça a disposição política dos dois lados em transformar décadas de negociação em resultados práticos, em um momento de redefinição das alianças econômicas globais.
