O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 será tratado como prioridade na Casa, reforçando a expectativa de avanço de uma das pautas mais sensíveis do momento no Congresso Nacional. Segundo ele, o tema envolve interesses legítimos tanto de trabalhadores quanto do setor empresarial, o que exige um debate amplo e responsável. A declaração ocorre em um contexto de reaproximação política entre Motta e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, o presidente da Câmara destacou que a sinalização de priorizar o tema já havia sido feita no fim do ano passado e reiterou a relevância da discussão para a realidade do mercado de trabalho brasileiro. No Planalto, a avaliação é de que o alinhamento entre Hugo Motta e o governo federal pode acelerar a tramitação de propostas que tratam da mudança na jornada de trabalho, considerada uma agenda com forte apelo social e eleitoral.
Desde o fim de 2025, Lula tem defendido publicamente o fim da escala 6×1 como uma das prioridades de seu governo. A pauta voltou a ganhar fôlego após a retomada do diálogo entre Motta e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, depois de um período de distanciamento provocado por divergências em votações relevantes. Aliados do presidente da Câmara descrevem a relação com Lula como uma convivência institucional marcada por respeito mútuo.
Nos bastidores do Congresso, a leitura é de que a aproximação pode trazer ganhos políticos para ambos os lados. Para o governo, a possibilidade de avançar em uma proposta que dialoga diretamente com o eleitorado em um ano de eleições. Para Hugo Motta, o fortalecimento do vínculo com o Planalto pode render apoio político tanto em seu estado, a Paraíba, quanto em uma eventual disputa pela reeleição à presidência da Câmara.
A articulação ganhou novos contornos nesta semana, quando Motta se reuniu com o ministro Guilherme Boulos no Palácio do Planalto. De acordo com interlocutores, o fim da escala 6×1 esteve entre os temas abordados, ainda que de forma indireta. Por determinação do presidente Lula, Boulos tem atuado na interlocução com o Congresso para viabilizar a mudança. O encontro contou também com a participação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
A discussão sobre a redução da jornada ganhou força inicialmente com uma proposta de emenda à Constituição apresentada pela deputada Erika Hilton, do PSOL do Rio de Janeiro. No Senado, uma iniciativa semelhante, de autoria do senador Paulo Paim, já avançou ao ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. Na Câmara, tramita ainda um projeto de lei relatado pelo deputado Léo Prates, que unifica diferentes propostas e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Avaliado pelo Palácio do Planalto, esse projeto de lei é visto como uma alternativa mais viável por ter tramitação mais rápida do que uma PEC, o que amplia as chances de que o tema avance ainda neste ano. Com o apoio declarado do presidente da Câmara, o fim da escala 6×1 deixa de ser apenas uma bandeira social e passa a ocupar posição central na agenda política do Congresso.
