O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (16) que a população mais pobre do país costuma ser tratada como invisível, servindo muitas vezes apenas como objeto de estudos acadêmicos ou de discursos políticos. A declaração foi feita durante uma cerimônia realizada no Rio de Janeiro para marcar os 90 anos da criação do salário mínimo, política que o presidente voltou a destacar como central no combate às desigualdades sociais.
Em tom crítico, Lula afirmou que, apesar de os pobres serem constantemente mencionados em debates teóricos e discursos, eles seguem à margem das decisões de poder. Segundo o presidente, a dinâmica eleitoral evidencia essa distorção, já que candidatos não buscam apoio nos centros financeiros do país, mas sim nas periferias e regiões mais vulneráveis. Para ele, essa realidade expõe quem, de fato, sustenta o processo democrático brasileiro.
O presidente utilizou o simbolismo do salário mínimo para reforçar sua visão sobre justiça social e inclusão econômica. Criado há nove décadas, o instrumento foi lembrado por Lula como uma das principais ferramentas para garantir dignidade aos trabalhadores e reduzir desigualdades históricas. O discurso também dialoga com a agenda do governo, que tem defendido a valorização do salário mínimo como estratégia de crescimento com distribuição de renda.
A cerimônia reuniu integrantes centrais da equipe econômica e política do governo. Estiveram presentes a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também participou do evento, sinalizando a importância institucional atribuída à data.
Ao relembrar os 90 anos do salário mínimo, Lula reforçou a narrativa de que políticas públicas voltadas aos mais pobres não devem ser apenas tema de discursos, mas prioridade concreta de governo. Suas declarações, feitas em um momento de debates intensos sobre economia e desigualdade, voltam a colocar a questão social no centro da agenda política nacional.
