O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo (18), aos 73 anos, em Brasília, após uma longa batalha contra um câncer no pâncreas. Ele estava internado no Hospital DF Star. A morte de Jungmann encerra a trajetória de um dos nomes mais experientes e multifacetados da política brasileira nas últimas décadas, com atuação marcante em governos estaduais e federais, além de forte presença no debate sobre segurança pública e meio ambiente.
Natural do Recife, onde nasceu em 3 de abril de 1952, Jungmann iniciou sua vida política ainda durante o regime militar, quando integrou o Partido Comunista Brasileiro na clandestinidade. Posteriormente, filiou-se ao MDB e participou da fundação do Partido Popular Socialista, legenda que mais tarde passaria a se chamar Cidadania. Ao longo da carreira, transitou por diferentes correntes políticas, sempre mantendo protagonismo em áreas estratégicas do Estado.
Sua primeira experiência como gestor público ocorreu no início dos anos 1990, como secretário de Planejamento de Pernambuco. No plano federal, ocupou quatro ministérios em dois governos distintos. Durante a gestão de Fernando Henrique Cardoso, comandou as pastas da Política Fundiária e da Reforma Agrária. Anos depois, no governo Michel Temer, assumiu os ministérios da Defesa e da Segurança Pública, funções em que ganhou projeção nacional ao enfrentar temas sensíveis da administração pública.
Jungmann também exerceu três mandatos como deputado federal e presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis. Além disso, fundou e dirigiu organizações da sociedade civil e integrou conselhos de administração de diferentes entidades. Desde março de 2022, presidia o Instituto Brasília Ambiental, organização privada sem fins lucrativos que reúne mais de 300 associados responsáveis por grande parte da produção mineral do país.
Na área da segurança pública, deixou como principal legado a criação do Sistema Único de Segurança Pública, o Susp, iniciativa que buscou integrar as forças policiais dos estados, ampliar o compartilhamento de informações e coordenar ações de combate ao crime organizado. O modelo representou um marco ao ampliar a participação do governo federal em um setor tradicionalmente sob responsabilidade dos estados, ao atrelar recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional ao cumprimento de metas.
Mesmo fora do governo, Jungmann seguiu atuando como referência no debate público. Em junho, durante um seminário acadêmico em São Paulo, voltou a alertar para a fragilidade institucional da segurança pública no Brasil e defendeu mudanças estruturais profundas. Para ele, o país não conseguiria enfrentar o crime organizado, cada vez mais transnacional, sem integração de inteligência e coordenação efetiva entre as forças de segurança.
A morte de Raul Jungmann provoca repercussão no meio político e institucional, onde era reconhecido pela experiência, pelo perfil técnico e pela disposição em enfrentar temas complexos do Estado brasileiro. Seu legado permanece associado à busca por reformas estruturais e ao esforço de construção de políticas públicas de alcance nacional.
