O Banco Master e seu CEO, Daniel Vorcaro, foram derrotados em todas as instâncias de uma queixa-crime por calúnia e difamação movida contra o gestor Vladimir Timerman. A decisão mais recente, publicada nesta semana pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, confirmou o arquivamento definitivo da ação e determinou o pagamento de R$ 5,5 mil em honorários advocatícios à defesa de Timerman.
A queixa-crime havia sido apresentada em outubro de 2024, mas não avançou no Judiciário. Tanto o tribunal quanto a Procuradoria-Geral de Justiça entenderam que não havia elementos suficientes para justificar o prosseguimento do processo. No parecer acolhido pelos desembargadores, o Ministério Público apontou ausência de provas capazes de sustentar as acusações feitas pelo banqueiro e pela instituição financeira.
Vorcaro e o Banco Master foram representados no caso pelo escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O acórdão também registra a participação de dois filhos do casal na equipe de defesa. De acordo com apuração do blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, esta é a única ação conhecida em que o banco e seu principal executivo foram representados pelo escritório ligado à família do ministro.
O processo teve origem em um embate mais amplo, motivado por denúncias feitas por Vladimir Timerman sobre supostas irregularidades envolvendo operações da construtora Gafisa, do próprio Banco Master e de fundos associados ao empresário Nelson Tanure. As acusações acabaram dando margem à reação judicial de Vorcaro, posteriormente rejeitada pela Justiça.
Após o encerramento definitivo da ação, Timerman apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público de São Paulo contra Daniel Vorcaro, desta vez por denunciação caluniosa. Na representação, o gestor sustenta que a contratação do escritório da esposa de um ministro do STF teria tido um caráter intimidatório.
Documentos mencionados na reportagem indicam ainda que o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório previa uma atuação ampla, com valores que poderiam chegar a até R$ 130 milhões. O montante, no entanto, não teria sido integralmente pago em razão da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro.
