O clima político entre o Executivo e o Legislativo representado pelo presidente Eduardo Batista segue longe da normalidade. Nos bastidores, secretários do prefeito Marcílio Régio avaliam que a relação com Batista tem se deteriorado e causado um foco permanente de desgaste para a gestão.
Ouvidos sob reserva pelo Radar Político365, ao menos dois secretários e um vereador da base governista defendem que Marcílio faça um gesto político direto, mesmo após a vitória na sessão extraordinária desta terça, 20. Para esse grupo, a aprovação da reforma não encerrou o conflito político, apenas mudou seu formato.
“O prefeito já convidou Batista para solenidades e reuniões junto com os outros vereadores, mas ele não vai. Seria um gesto de grandeza de Marcílio ir à Câmara para uma visita institucional e mostrar a Eduardo Batista que não existe segundas intenções da parte dele”, afirmou um secretário influente do governo.
Outro auxiliar avalia que a falta desse movimento mantém o ambiente tensionado e abre espaço para críticas constantes por parte do presidente da Câmara. “A reforma passou, mas o incômodo político continua. Se não houver esse gesto, Batista seguirá sendo um problema permanente buscando tensionar a relação com o Legislativo”, disse.
Um vereador da base governista também reconhece que o embate extrapolou o campo administrativo e ganhou contornos pessoais, ainda ligados ao processo eleitoral. “O cara ainda está muito machucado e alimenta situações da época da campanha. A política é feita de gestos. Um movimento institucional agora mostraria que Goiana está acima de qualquer picuinha”, avaliou.
Entre aliados do prefeito, a leitura é pragmática: a ausência de diálogo direto não inviabiliza a governabilidade, mas mantém um ruído constante e impede uma relação minimamente previsível com o Legislativo. Do outro lado, também há o entendimento de que Eduardo Batista não demonstra disposição espontânea para reduzir o tom crítico.
